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Quinta-feira, 29 de dezembro de 2011, 16h19m
Estado

Um dia no Sarah Kubitschek

 

Cheguei às 8 horas da manhã numa das unidades do Sarah em Brasília. Era a minha vez de acompanhar minha mãe que já se encontrava internada ali há alguns dias.

Assim como vários prédios de Brasília, a arquitetura deslumbra logo na entrada. Concreto puro. Diferente da maioria dos hospitais que conheço, o verde toma conta da outra metade do prédio. São jardins exuberantes.

Bom, mas afinal, o que é essa maravilha toda...

A rede Sarah é composta por nove unidade cuja especialidade principal é a reabilitação. Uma das grandes referências em saúde pública do Brasil. A prova viva de que, querendo, existe solução.

A Associação das Pioneiras Sociais (APS) - entidade de serviço social autônomo, de direito privado e sem fins lucrativos - é a Instituição gestora da Rede SARAH de Hospitais de Reabilitação.

A Associação, criada pela Lei nº 8.246, de 22 de outubro de 1991, tem como objetivo retornar o imposto pago por qualquer cidadão, prestando-lhe assistência médica qualificada e gratuita, formando e qualificando profissionais de saúde, desenvolvendo pesquisa científica e gerando tecnologia. É primeira Instituição pública não-estatal brasileira.

A APS administra a Rede SARAH por meio de um Contrato de Gestão, firmado em 1991 com a União Federal, que explicita os objetivos, as metas e os prazos a serem cumpridos. È fiscalizada pelo Tribunal de Contas da União e seus funcionários são celetistas, apesar de se submeterem a processo seletivo rigoroso.

Médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem são exclusivos do hospital. Não é permitido outro emprego. Dedicação total. O treinamento deles também chama a atenção. São obrigados a participarem de treinamentos e cursos e depois repassar aos outros. Faz parte das metas da instituição o aperfeiçoamento do corpo clínico.

A entrada no prédio é altamente fiscalizada. Um acompanhante apenas, nada de bolsas, sacolas e um uniforme específico para quem vai ficar ali. Um conjunto de calça e blusa de cor nude com detalhes em laranja.

Visitantes e acompanhantes só transitam pelos elevadores.

O corpo de enfermagem também é dividido pelas cores do uniforme. Azul para auxiliares e branco para enfermeiros. Designe perfeitos para cada um. Extremo bom gosto!

Material descartável e um refeitório divino. O acompanhante também recebe alimentação. Nesse dia específico, meu prato era simplesmente um strogonoff acompanhado de arroz branco e batata cozida.

Saúde se faz com pessoas. Todos ali tratam o paciente num carinho e profissionalismo inacreditável. Cada um tem uma história, não são apenas leitos sendo usados.

A educação faz parte. Desde o ascensorista até o corpo médico. Um sorriso e atenção redobrada. E ninguém está pagando nada.é saúde pública!

Perguntei a uma enfermeira: Por que dá certo Ela respondeu: Gestão, aplicação correta de recursos e seriedade.

Minha mãe teria alta no dia seguinte. Além da expectativa quanto à sua saúde sai dali, às 18:00 com a sensação de que saúde pública de qualidade no Brasil pode existir. Ao passar por aqueles corredores enormes, senti muito mais do que esperança. Senti orgulho do meu país!

Yanna Barbosa

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5 Comentário(s)

  • Willyma de Jesus | 03/01/2012 | 20:52
    Entao gente, faço tratamento no Sarah desde 1991 e pra mim é o melhor hospital do mundo. Morei dentro do Sarah 2 anos e 8 meses, fiz 16 cirurgias na perna e uma no braço. Em 2000 cair e quebrei o braço, tinha retorno no Sarah uma semana depois, fizeram uma cirurgia no meu braço aqui na antiga maternidade que ficou uma coisa horrivel, no Sarah foi refeito e me dera acompanhamento. A Arquitetura do Sarah é fascinante, os profissionais maravilhosos. E pq no Tocantins nao pode acontecer isso?
  • Mayza Aiala | 03/01/2012 | 15:21
    Eh realmente emocionante adentrar um centro de reabilitacao na proporcao do Sara, mais emocionante ainda eh voce receber o tratamento que voce espera com simpatia e personalizado como no Sara! A minha pergunta seria outra........pq nao podemos ter saude publica no Tocantins como temos aqui no Sara? O que falta, Gestor? Medico, auxiliares? Comprometimento? Vontade politica? Manual de instrucao? O povo eh o proprio manual de instrucao....eh so perguntar ao povo em geral o que falta e ele dirah!
  • Gilvan Nolêto | 03/01/2012 | 15:12
    Como desconheço, fica a impressão que vc retratou a imagem de um hospital em outro País. Que bom que temos esse embrião!
  • Raphael Lacerda | 02/01/2012 | 16:42
    Que depoimento maravilhoso! Isso realmente mostra, que é possível termos um País cujo a saúde possa ser referência. Ficou provado, que se houver gestão eficiente dos recursos públicos, poderemos sonhar com uma Saúde Melhor!
  • Celismar Lázaro da Silveira | 31/12/2011 | 22:20
    Fiquei encantado com o seu depoimento e seus elogios. Temos bons exemplos também de algumas ?Santa Casa de Misericórdia? espalhadas pelo Brasil. Eu acredito muito na iniciativa privada (talvez no neoliberalismo). Fico triste quando a iniciativa privada apodera do setor público para beneficiar alguns grupos. A minha torcida é grande para que a saúde no Tocantins tenha esses exemplos bons. Vontade política não falta. Acredito que ainda falta um pouco de cultura.

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