A equipe que vai se delineando para assumir o primeiro escalão do governo Siqueira Campos(PSDB) não pode ser definida pela palavra “homogênea”. É uma colcha de retalhos, na verdade, construída de acordo com as necessidades diversas do governador que vai tomar posse: ora técnicas, ora políticas.
Quebro o silêncio que tenho feito sobre o secretariado – é sempre bom esperar os primeiros três meses de governo para ver como cada qual reage e se move com o poder e a caneta em mãos – para destacar duas surpresas boas esta semana. O engenheiro Alexandre Ubaldo, ligado a Eduardo Siqueira, mas também muito próximo do governador eleito caiu como uma luva na Secretaria de Infra Estrutura.
Ubaldo já cumpriu muitas missões nos últimos anos dentro do staff siqueirista. Sua lealdade a Siqueira lhe custou toda sorte de decepções no governo Miranda, em que foi isolado a partir do rompimento e ficou praticamente sem trabalhar. Ninguém lhe chamava para nada. Agora será cortejado em todas as rodas, e vai assumir uma pasta cheia de arranjos, contratos aditivados, e obras pagas sem que fossem concluídas nos últimos anos. O que é a vida né? O mundo gira...
Arrhenius é respeitado no meio
A Secretaria da Comunicação por outro lado tem sido a pasta da discórdia ao longo dos anos. Ao escolher Arrhenius Naves, pai e filho acertaram novamente. Digo isso sem medo de errar não só por que o publicitário é um gestor testado nas empresas do grupo de Eduardo ao longo dos últimos anos, mas por que entende do ramo, sabe o que é mídia técnica e sabe o que é mídia política.
À frente do grupo Jovem Palmas, sofreu as restrições na pele nos últimos meses, quando Carlos Gaguim mandou cortar as mídias do grupo, simplesmente pelo fato de que as empresas (rádio e TV) pertencem a Eduardo Siqueira. Desconsiderando aí audiência, qualidade, liderança de segmento entre outros quesitos.
O desafio é grande em todas as áreas, mas Arrhenius não poderá, por exemplo, beneficiar o grupo de onde veio, já que só o fato de ser originário de lá tornará a vigilância e atenção de todos os setores da mídia se redobrarem.
Rede Sat precisa cumprir o papel para o qual foi criada
A Rede Sat é outra instância a ser recuperada. É de embrulhar o estômago o que acontece especialmente na rádio nos últimos meses. Uma rede pública, que deve fazer jornalismo comunitário e ter programação cultural foi colocada à disposição do pior servilismo que pode ser feito a um governo. Basta ouvir os comentários inacreditáveis que têm ido ao ar ao longo da programação: bajuladores ao extremo ao governador atual, ofensivos com a oposição, numa baixaria que não respeita os limites da lei, nem do bom senso.
Está mais que na hora disso tudo acabar. Pela Infra e pela Comunicação escorreram rios de dinheiro nos últimos meses. Dinheiro público, colocado a serviço dos interesses de alguns. Vamos esperar que isso mude. Esperar e vigiar. Muito.
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