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quarta-feira, 25 de março de 2009, 22h10m

Soltando o verbo

Há alguns dias atrás, dando uma aula de Direito Constitucional, deparei-me , lá no artigo 5º da Constituição Federal, com aquele inciso que trata da censura
 

Acho que é um bom tema para abordar no lançamento de um site como este.

Há alguns dias atrás, dando uma aula de Direito Constitucional, deparei-me , lá no artigo 5º da Constituição Federal, com aquele inciso que trata da censura. Comecei então, minha explicação. Obviamente, é Impossível falar sobre censura sem lembrar o passado, afinal, a norma existe por que, um dia, durante um período dirigido por militares, era proibido falar.

Contei várias histórias, citei os mais interessantes exemplos. Queria que a turma realmente imaginasse como era viver sem poder manifestar seu pensamento. Impossível, eu estava certa disso.

Foi quando um aluno ergueu o braço. Educadamente ele pediu um exemplo atual. Pediu que eu narrasse um episódio onde alguém tivesse utilizado dessa prerrogativa de falar. Queria conhecer um caso onde um cidadão tivesse “soltado o verbo”. Aproveitado da inexistência da censura para denunciar, esbravejar, não concordar. E foi enfático. Não vale exemplo de Jornalistas, o que eles fazem é em virtude da profissão (e olhe lá).

Comecei a pensar. Nada me vinha à cabeça. Procurei na memória os diversos escândalos políticos. Fiquei imaginando aqui no Tocantins. Quanta coisa acontecendo debaixo dos nossos olhos. Por que tão poucos falam? Afinal, é nosso direito!

O aluno aguardava uma resposta. Alguns minutos se passaram e ele mesmo respondeu. “Nada mudou professora. O preço que pagamos, a nossa censura de hoje, é o nosso emprego; é poder pagar um bom plano de saúde, uma boa escola para nossos filhos. É ter uma sala digna, poder subir de posto, é não ser perseguido, ser mal visto pelos colegas”.

Como discordar? Até que ponto devemos chegar pela nossa liberdade de expressão? Não pude condená-lo. Posso parecer até mesmo patética, mas o certo é que nadamos contra a maré. Devíamos chegar até a praia, mas a cada dia nos afundamos mais. A cada dia somos mais dependentes, mais comprometidos. É essa a expressão usada pela maioria – “não quero me comprometer”. Ninguém quer.

Terminei minha aula abordando um novo tema. O comprometimento. Somos um povo que fala, que grita, que xinga. Falamos, gritamos e xingamos. Com nossos amigos, nas rodinhas de bar. Nada comprometedor.

Censura? Nada. A Constituição nos deixa claro que é proibido qualquer tipo de censura. O que ela apenas se esqueceu de nos dar foi o direito de falar. A verdadeira liberdade de poder falar... sem nos comprometer, é claro!

Parabéns Roberta!

Yanna Barbosa

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1 Comentário(s)

  • Sergio Barbosa da Silva | 01/04/2009 | 10:04
    Aqui no estado do Tocantins querem Censurar até as empresas de comunicação, querem dizer o que devemos publicar e o que não devemos. Más isso só funciona para aqueles que dependem somente da verba do Governo para sobreviver como empresa, más também existe aquelas que surgiram como empresa de comunicação apenas para mandar recados e receber por isso. As empresas precisam sim de participar da midia(verba) do Governo, más também aquelas que fazem Jornalismo com responsabilidade, e não somente aquelas que só servem para mandar recados.

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