Paixão não se escolhe, nem se esconde. Transparece aos olhos de quem quiser ver. Em política então, a máxima vale tanto ou mais que na vida. Digo isto para fazer uma observação acurada sobre o dilema vivido por boa parte dos prefeitos no interior. A maioria esmagadora se declara aliada do governo. Mas não se sabe até que ponto.
Tem “os prefeitos do João”, “os prefeitos do Gaguim”, "os prefeitos do PT" e tem também “os prefeitos do DEM”, que dependentes de emendas parlamentares e do dinheiro do governo – boa parte deles – vem se declarando governo também. É bom e fácil ser governo. Afinal, para os aliados, tudo. Duro é ser oposição no quadro atual da política tocantinense.
No meio de situações delicadas, e diante da nova realidade - Gaguim não é Marcelo, e exige posição definida de quem quiser estar a seu lado – muitos prefeitos tem sido contraditórios com os próprios partidos nos quais se elegeram. Questionada sobre a posição de Valuar Barros, do DEM de Araguaína, a senadora Kátia Abreu – que de boba não tem nada - saiu-se com essa: “quem tem que ser oposição é o legislativo. O prefeito tem nas mãos a caneta, e a vida da população da sua cidade. Temos orientado nossos prefeitos a ter uma boa convivência com o governo”. Ponto. Para bom entendedor não precisa mais.
Abdalla com Siqueira
Um exemplo gritante da dificuldade de ser governo tendo nascido na oposição vem do prefeito Alexandre Abdalla(PR) de Gurupi. É preciso reconhecer seu estilo independente. No auge da crise da cassação do ex-governador Marcelo Miranda, no vácuo criado entre a votação do TSE e a análise dos recursos, Abdalla foi ao Palácio Araguaia se solidarizar com Marcelo.
Na sexta, 5, Abdalla estava presente num evento no Bico do Papagaio ao lado do ex-governador Siqueira Campos (PSDB). Não só ele, diga-se de passagem. Mas gente de alta responsabilidade institucional, como o presidente do TCE, conselheiro Severiano Costandrade. São amigos de longas datas.
Ao perceber que prefeitos e lideranças que estão ao lado de Gaguim e Ribeiro num dia, podem estar em seguida ao lado de Siqueira ou Kátia, fica nítido que nada está definido no intrincado xadrez da sucessão deste ano.
Afinal, com quem ficará Abdalla? É apenas uma pergunta, que caberia a outros prefeitos e lideranças tocantinenses.
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