Embora muitos dos leitores/eleitores prendam suas atenções exclusivamente no embate local, a eleição para presidente da República deve nos interessar, e muito. Analisando os números da pesquisa Datafolha que foi publicada no final de semana percebe-se um dado interessante, além do empate técnico registrado entre os dois, com Dilma oscilando um ponto abaixo de Serra num cenário de 37% para ele contra 36% dela no primeiro turno, com a presença de Marina Silva e os candidatos nanicos, subindo para 46% a 45% no segundo turno.
Falo da confiabilidade do eleitor na vitória do seu candidato. O percentual de eleitores que acredita na vitória de Serra é inferior ao número que declara votar nele. Já a crença do eleitor de Dilma na vitória dela se equivale às suas intenções de voto, com pequena diferença.
Sem disputar, Lula é o fiel da balança
A verdade é que mesmo sem disputar as eleições este ano, Lula é o fiel da balança. Num cenário imaginário sem o presidente alavancando sua candidatura, Dilma teria poucas chances. Senão vejamos: evita o debate, cai em contradições freqüentes, tem um passado de atuação em guerrilha que assusta boa parte do eleitorado pelo radicalismo. Resumindo, Dilma está “nas paradas de sucesso”graças ao presidente mais popular da história recente do Brasil.
O medo do efeito Lula sobre o eleitorado é tamanho, que até Serra evita bater no presidente. Uma análise no Blog do Josias aborda o momento da campanha em que se esgota a estratégia do tucano de evitar o embate com a figura mitológica do presidente.
Presença de Serra é importante
A presença de Serra nos mais diversos rincões do Brasil é importante para dar visibilidade à sua campanha em locais onde Lula é idolatrado, e o medo do eleitor das classes D e E é perder os benefícios dos “bolsa tudo”. Ninguém duvida do quanto a mesa do brasileiro está mais farta depois os cartões de plástico fizeram chegar contribuições mensais para toda sorte de participação nos programas do governo.
Talvez o desafio do candidato do PSDB seja evitar o medo da perda de benefícios, e mostrar que afinal Dilma não é Lula, Dilma não é Lula, e Dilma não é Lula. Uma verdade clara para quem se dá ao trabalho de analisar um pouco mais o quadro. Mas que parece não estar evidente para boa parte do eleitorado brasileiro.
É por acreditar demais na invencibilidade de Lula e na sua permanência através dela, que até o eleitor de Serra, acha que a ex-ministra é quem vencerá as eleições. (Atualizada com correções às 23h27)
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