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Quinta-feira, 14 de julho de 2011, 08h20m

Saudade dos velhos Transformers

Eliandro Carlos Gualberto é natural de Goiânia-GO, Bacharel em Segurança Pública pela Academia de Polícia Militar Tiradentes, acadêmico do 10º período do Curso de Direito pelo Instituto de Ensino e Pesquisa Objetivo em Palmas-TO.
 
Arquivo pessoal Eliandro C. Gualberto
Eliandro C. Gualberto

Há tempos, desde Matrix, já tinha me desiludido com as produções Hollywoodianas em que as prioridades se concentram em quebra-quebra e destruições descabidas. Ainda assim, talvez atraído pela febre da tecnologia 3D ou pela novidade das novas salas de cinema em Palmas, me aventurei a enfrentar uma infindável fila, e a pagar mais de 15 reais por um pacotinho de pipoca e um copo de refrigerante (sem falar do valor absurdo do ingresso), para assistir ao tão esperado “Transformers 3: O lado escuro da lua”.

É claro que a paixão por carros e pelos magníficos efeitos especiais da transformação das máquinas do filme, aliado à nostalgia dos anos 80, também foram fatores preponderantes para desembolsar 23 suados reais para assistir à “mega-produção” no cinema.

Mas não foram os efeitos especiais, nem a excelente qualidade das novas salas de cinema, tampouco o mega-preço do ingresso ou a pipoca “salgada” que me surpreenderam. Na verdade, o que me causou bastante estranheza, diferentemente das duas produções ulteriores, foi os quase 150 minutos de puro quebra-quebra e destruição exacerbada que o filme apresenta. É certo que, ultimamente, o que se vê na maioria das produções Hollywoodianas de ação e de ficção é violência e destruição apocalíptica, mas no meu mero e humilde senso crítico cinematográfico, Transformers 3 passou dos limites.

Digo isso com o mínimo de propriedade, simplesmente pelo fato de ser um amante da boa produção cinematográfica, daqueles que não dispensa um comentário do diretor, uma entrevista com os atores, e que observa desde o roteiro até a trilha sonora. E ainda, pelo fato de ser testemunha viva dos singelos, porém saudáveis, desenhos animados dos Transformers da década de 80.

O que pude observar em Transformers 3 está muito longe da idéia original do desenho, em que ainda se preocupava em transmitir alguma mensagem positiva para nossas crianças. O que se observa na verdade é uma tentativa desesperada de superar o fiasco da bilheteria do segundo filme da série, utilizando-se exageradamente da quebradeira e da violência, tentando destacá-las com a tecnologia 3D.

Por mais que o público tenha saído do cinema extasiado com tanta “ação” (leia-se porrada) ficou em mim a sensação de ter acabado de sair de dentro de um liquidificador e, o pior e mais óbvio, pude perceber que grande parte desse mesmo público (a maioria jovens e adolescentes) fica maravilhado com tamanha demonstração de destruição e violência sem se preocupar com a ausência de qualquer mensagem positiva implícita no roteiro. No mínimo preocupante!

Enfim, que as bilheterias de “O lado escuro da lua” sejam recordes, e que venha o número 4, talvez com uma tecnologia mais avançada que a 3D (que não seja cadeiras vibratórias), mas que pelo menos estejam os futuros produtores com os hormônios um pouco menos “enfurecidos”, com o mínimo de intenção de transmitir mais mensagens positivas e menos exageros para nossos filhos. Do contrário sugiro que as modernas salas de cinema, além de 3D e das temidas cadeiras vibratórias, sejam também equipadas com sistemas de air-bags. E salve-se quem puder!

Eliandro C. Gualberto

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25 Comentário(s)

  • Laura dos Anjos | 21/07/2011 | 16:09
    Realmente o debate é/foi interessante. Este espaço, no qual os leitores comentam é muito bacana, a jornalista Roberta Tum sabe fazer este elo com maestria.
  • Ricardo Ferreira | 19/07/2011 | 16:20
    É meu jovem "cabeça..." ainda não fui ver o filme,quando for vou observar se você tem razão, mas o debate foi muito bom.
  • Eliandro Carlos Gualberto | 19/07/2011 | 15:50
    Com as adaptações que todos nós sabemos que o cinema faz em títulos e legendas quando traduzidos para o português ficou "o lado OCULTO da lua"; O que no meu mero entendimento dá na mesma, pois sabemos que OCULTO ou ESCURO o lado é o mesmo. Agradeço o comentário. Detalhe: realmente assisti ao filme. Apesar de quase não aguentar vivo até o final.
  • Eliandro Carlos Gualberto | 19/07/2011 | 15:47
    Cara Laura, eu quis na verdade tecer uma crítica para os exageros que o filme apresenta. Excesso de quebradeira, atores quase que imortais, prédios hiper-mega-power-resistentes, enfim, coisa que até mesmo num filme de extrema ficção ficam um tanto forçosas. Quanto ao título do filme devo lembrá-la que o título original é "Dark of the Moon" que traduzido "Ipsis literis" para o português seria "escuro da lua". (continua)
  • jota pereira | 19/07/2011 | 15:03
    Muito bem as suas colocações caro Eliandro, nesse filme foi gastos fortunas incalculáveis, e não percebi nada que justificasse tanta quebradeira e destruição.
  • Gleyson | 18/07/2011 | 22:13
    VC descreve exatamente o que senti ao assistir T3, até em certo momento me deu sono. Um roteiro fraquíssimo, horrível mesmo. Não sou fã de filmes de ação, mas este, superou tudo de ruim já visto nas telonas.
  • Laura dos Anjos | 18/07/2011 | 09:16
    Acho que ficou vago o que queria mostrar... como sabemos existem "gosto" para tudo nesta vida, assim como preferência cinematográfica, eu particularmente prefiro os filmes comédia/romance, claro, existem pessoas que preferem produções com mais ação/efeitos/suspense/guerras etc. Por fim, queria dizer que acredito que nem você assistiu o aludido filme, pois o nome correto é ?Transformers: o lado OCULTO da lua? e não ESCURO como escreve. Este tipo de erro mostra a importância que dá ao assunto.
  • Ricardo Thomaz Said | 16/07/2011 | 16:26
    Quando assistíamos, por exemplo, Batman, notávamos que ele não exterminava seu inimigo.Notávamos que "os do mal", como diz meu filho, apareciam na tela enquadrados com uma queda para o lado, como se filmassem em um plano inclinado.Hoje, conhecendo a obra e as idéias de Tim Burton, sabemos que este era o recurso que ele se utilizava para nos mostrar que aqueles ("os do mal")estavam desenquadrados da sociedade.Hoje,qualquer arma fascina uma criança,como sempre fascinou, mas como tudo está fácil...
  • Ricardo Thomaz Said | 16/07/2011 | 16:20
    De fato, Eliandro.E você é bem mais novo que eu.Cresci vendo Nacional Kid, Vigilante Rodoviário, Speed Racer, Flintstones, Batman(em série, todos os dias, na mesma bat-hora,no mesmo bat-local), mas minha geração brincou em plena ditadura com revolver de espoleta.Deu no que deu>Uma vez que conteúdo nos falta e o que empurram goela abaixo é isso que aí está,creio que as minhas preocupações sejam infinitamente maiores que as de meu pai, no que diz respeito criar, educar e formar o filho.
  • Eliandro Carlos Gualberto | 15/07/2011 | 22:23
    É meu caro Ricardo. Filhos: a razão de nossa existência. Como protegê-los se o capitalismo e a tecnologia impõem suas perversas regras? O pior é que, mesmo considerando que a classificação do filme é 12 anos (ressalte-se que na sessão que assisti tinha uma meninazinha de cerca de 7 anos), é inevitável que seu filho veja o filme num DVD locado ou numa "tela quente global" da vida. O negócio é trabalhar bem o depurador moral dos nossos filhos. Já pensou, eles amanhã a bordo de um camaro amarelo?
  • Ricardo Thomaz Said | 15/07/2011 | 17:55
    Eliandro, ainda não vi o filme, mas tenho um filho de 6 anos que é "vidrado" em Transformers.Seu texto lembrou-me o saudoso Paulo Francis, no Jornal da Globo,anos e anos atrás, no dia da pré-estréia de O Exterminador do Futuro.Dizia Francis:"-Eu mesmo contei o número de mortes no filme e posso ter perdido algumas.Saí do cinema sem entender como se produz isso.Foi como a história do cachorro que entrou na igreja - porque a porta estava aberta - e saiu porque entrou".Precisamos de mais conteúdo.
  • Eliandro Carlos Gualberto | 14/07/2011 | 21:39
    ...sem se preocupar com opiniões impertinentes e irrelevantes. Felizmente a Carta Magna ainda traz no rol de direitos e garantias fundamentais o lazer e a cultura. Lamento se seu município não tem cinema ou se na locadora que costuma locar seus filmes Ghost ainda está na seção de super lançamentos. Permita-me fazer-lhe um convite: venha visitar nossa Capital e conhecer as novas salas de cinema (eu pago o ingresso), talvez amenize essa sua agressividade. Só aconselho que não assista Transformers.
  • Eliandro Carlos Gualberto | 14/07/2011 | 21:34
    Caro Roberto (CC), a vantagem do Estado Democrático de Direito, da liberdade de expressão e do pleno direito de ir e vir é que você faz o que quiser, se expressa da forma que achar conveniente, e vai aos lugares que bem entender (inclusive ao cinema) desde que, obviamente, assuma a responsabilidade por seus atos e palavras e aceite as possíveis críticas. Isso é uma maravilha não acha? Fazer o que quiser; Escrever o que quiser; Frequentar os lugares que quiser, sem se preocupar...
  • Apocalipse | 14/07/2011 | 21:15
    Caro Eliandro,concordo com a sua preocupação quanto à ausência de mensagens positivas neste filme que dizes ser um tanto violento.Sobretudo quando o mesmo é mais direcionado ao público infantojuvenil.Parodiando Roberto Carlos quando canta em às baleias:O que será do futuro do que hoje se faz a natureza,as crianças e aos animais?.Então eu indago: O que sérá do futuro das crianças e do mundo?- Pelo que hoje se produz de videogames e filmes violentos com o aval da mais alta tecnologia.
  • Eliandro Carlos Gualberto | 14/07/2011 | 17:03
    Infelizmente nobre Charles, alguns valores estão perdidos. Pelo menos temos o consolo de ter vivido outros tempos em que a simplicidade das coisas eram mais valorizadas. Preservemos pelo menos as boas amizades então. Grande abraço meu amigo.
  • roberto carneiro alves santos sousa | 14/07/2011 | 14:47
    ... atestado médico é a solução de seus problemas. E no final das contas vão pro cineminha. Curtir! Vida boa hein? Uma pequena minoria carrega o fardo que deveria ser dividido por muitos. Vamos trabalhar! Vamos trabalhar. Vamos gastar nosso tempo pensando em algo que possa melhorar o combate à violência, à criminalidade, vamos?
  • roberto carneiro alves santos sousa | 14/07/2011 | 14:37
    Não concordo com o autor do texto! O que temos que fazer é trabalhar e nos empenharmos no combate à violência. Para isso, precisamos que os agentes de segurança pública parem de usar a máquina estatal somente para se beneficiar. Sabemos que muitos funcionários do povo só querem o bônus do estado. Quando percebem que não vão obter mais vantagem, alguns acabam se escondendo atrás de uma mesa, numa seção administrativa, mesmo tendo recebido formação para ocupar outras funções, outros, fazem pior...
  • ACACIO MELO | 14/07/2011 | 13:10
    Boas as observações sobre o filme. Faltou apenas analisar a metáfora que utilizam o tempo todo para reforçar, principalmente nos americanos "do norte", a ideia do imperialismo e poderio militar dos Estados Unidos, travestidos de salvadores do mundo. Por isso a grande bilheteria conseguida nos EUA, principalmente num momento em que a economia daquele país encontra-se fragilizada e sua influência global começa a ser ameaçada por outras nações.
  • Bernardes | 14/07/2011 | 13:01
    Não assisti ao filme, nenhuma edição dele por sinal. Mas imagino como deve ser... O público de Holywood está muito burro pra poder compreender mensagens positivas e ler as entre-linhas de qualquer coisa, por isso eles resolveram colocar apenas brigas no filme. Rsrs Deixei de assistir a esses filmes, agora me entrego aos clássicos. Sou medieval mesmo, fazer o que.
  • Alyne Coelho Pereira | 14/07/2011 | 09:19
    Proferi exatamente a mesma opinião ao sair da sala de cinema! Diálogo muito pobre...aparentemente a preocupação maior foi as alfinetadas contra a atriz que havia sido demitida depois do segundo filme.Robôs se atracando infinitamente. Parecia mais uma sessão teste de 3D do que um filme inteiro com início meio e fim. As cenas de ação cansam tanto que até certo ponto você torce para que o filme termine logo. E por fim, a pipoca estava realmente muito salgada, nos dois sentidos.
  • walter charles sousa nogueira | 13/07/2011 | 20:50
    Em outras palavras parabéns pelo artigo. Embora participantes das mesmas regras (papa make)!Não tive as oportunidades para com as inteligencias multiplas, queimei etapas...rsrsrsr. Mas sou feliz, o Glauberto é meu amigo, eu acho!
  • walter charles sousa nogueira | 13/07/2011 | 20:33
    Dentre tantas qualidades que me "aflige", o senso critico me embriaga e me leva além. Reluto, mas ainda assim me desespero pois lá encontro alguém adepto das mesmas nostalgias, filmes antigos. O melhor que não se rende ao marketing hollywoodiano. Só não entendo como fomos ficar inerte. E as cadeiras vibrarão?
  • Mayza Aiala | 13/07/2011 | 18:10
    Apesar de nao ter visto o filme, concordo plenamente com voce! A industria de ficcao americana tem exagerado na violencia....e isso e de fato uma pessima influencia p/ jovens e criancas. E sabe o que e pior ainda? E que nao fica somente no cinema....os famosos video-games como o Nintendo 3ds que a propria crianca faz o download dos jogos que ele quizer,... a violencia e pior ainda! Mas fazer o que nao e mesmo? e a geracao da tecnologia virtual. Parabens pela dissertacao, ficou muito boa.
  • José Delves do Carmo | 13/07/2011 | 15:00
    Texto bem elaborado, leve, enxuto, com ótima fluência de português. Faculdades estão uma #*&#@ hoje em dia, mais Gualberto demonstra que quando há interesse, jovens conseguem se superar. Elogios só os faço de ano em ano, e para quem os merece. De parabéns o autor.
  • José Carlos Barbosa | 13/07/2011 | 14:44
    Infelizmente a magia das antigas produções do cinema tem dado lugar às apelativas superproduções que só trazem violência e mais violência. Talvez seja uma forma de dar vazão ao instinto autodestrutivo do ser humano. Realmente uma pena tanta violência em um filme assistido por um público tão jovem.

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