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Quinta-feira, 19 de novembro de 2009, 18h52m
Consciência Negra

Rebele-se contra o Racismo!

O Brasil vive avanços e perspectivas nas políticas públicas para a população negra do país. O papel do movimento negro na luta pelos direitos dos negros é o foco da discussão da jornalista Maria José Cotrim.
 

Mais um 20 de novembro: Dia da Consciência Negra!Num país em que comemoramos até o Dia da Árvore, ainda existem os ímpares que questionam se a data em que se levanta a discussão sobre a desigualdade social e racial deve ser feriado. Sem consenso sobre a importância do dia para o calendário de alguns estados, perdura a luta do movimento negro para que a memória de Zumbi dos Palmares ganhe espaço no calendário brasileiro.

Mesmo sem feriado, nesse dia de canto a canto a data é lembrada. A mídia dá espaço para a temática, negros e negras, com bandeiras na mão, vão ás ruas pedir implantação de políticas públicas para a população negra, ainda maioria absoluta pobre neste país. Nas escolas, com a lei 10.639 que obriga o ensino da Cultura Afro na sala de aula, a temática também vem á tona. Seria então o começo da Consciência Negra?

Este dia 20 é diferente, visualizamos mudanças no cenário social, mas que ainda são só um começo. Vemos o primeiro presidente negro ser eleito no país que tanto segregou a vida de milhares de negros. Mas vimos também perseguição e genocídio da juventude negra nos grandes centros e até aqui no Tocantins.Esse contraste nos mostra que a superação da discriminação e do racismo ainda é o melhor caminho para construirmos a tão sonhada "Consciência negra".

Neste dia 20 todas as ações serão em vão se não houver uma discussão sobre a participação social de cada um como cidadão crítico e ativo na sociedade e principalmente nos espaços de poder. Sociedade civil e governo precisam da parceria para dar melhores condições de vida para a população negra do nosso país.Porque é fácil apertar mãos, dizer que apóia e fingir que vivemos na Ilha do faz de conta. Ou ainda dizer da boca para fora que  não tem preconceito,   recorrer á árvore genealógica para buscar um parente de descendência negra.... mas na prática, na hora das piadinhas....a máscara cai. `Prova disso, nossos representantes políticos criarem resistência para aprovar e votar no Estatuto da Igualdade Racial.

Vou mais adiante e levo essa discussão para o Movimento negro. Acredito na atuação de um movimento consolidado buscando um diálogo com o poder público e empenhado em identificar e lutar pelas demandas. Como essa relação será estabelecida? depende da situação e da reivindicação em questão, vale tudo para exigir nossos direitos! No nosso país existem grandes líderes empenhados e que dão o sangue na luta pela igualdade racial, a exemplo do grande pai da luta, Zumbi!Gente mobilizada, atenta e cheia de atitude que bota a boca no trombone para dizer não ao preconceito, graças a eles enxergamos hoje grandes conquistas de inclusão.

Mas existe também o outro lado da moeda.O que chamo de movimento de rotação, que como o planeta terra, gira em torno de si mesmo.Infelizmente vejo pessoas que constituem o movimento para engrandecer líderes e partidos políticos.Gente que precisa de militantes e aliados apenas para fazer volume, preencher fichas de filiados e levantar a bandeira. Ora, não devemos dar as mãos para incentivarmos as políticas públicas? Pelo menos esse é o discurso!

O movimento tem que crescer sim e reivindicar muito, porque o preconceito não para... se renova a cada dia. Por isso, é preciso dar as mãos pela causa. Por mais oportunidade, por políticas de curto, médio e longo prazo, pela igualdade racial...Temos ainda um longo caminho pela frente...É com a Consciência negra que vamos superar esta dívida social com mais da metade da população brasileira.Portanto...Rebele-se contra o racismo!

Maria José Alves Cotrim

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