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Terça-feira, 11 de outubro de 2011, 09h27m
Estado

"O Tocantins não faltará ao Brasil"

Uma reflexão sobre a história do Tocantins e sua criação é proposta pelo jornalista Fredson Aguiar, que chama atenção para as palavras do governador Siqueira Campos, durante solenidade pela criação do Estado na Câmara dos Deputados, ao dizer que "o Tocantins não faltará ao Brasil".
 

É difícil mensurar como tão árdua foi a luta que durou mais de um século e meio até ser concretizada em 88 com a proposta de Siqueira Campos pela redivisão territorial do norte de Goiás; mas é possível atestar um fato inegável dessa jornada: a criação do Tocantins resgatou a presença pioneira de nosso estado nas discussões de ideais libertários que precederam o espírito democrático vivido pelo Brasil com a reabertura política, em 1984. Nosso espírito bravio saiu na frente em 167 anos e ali, notadamente, se formou a identidade contestadora do tocantinense, afinal está para nascer ser cidadão mais apaixonado por uma boa discussão política.

Nas palavras que Siqueira Campos rememorou 23 anos após o Tocantins ter sido criado, durante solenidade em homenagem a este feito, ocorrida nesta sexta (07/10) na Câmara dos Deputados, chega-se à síntese de suas palavras que, como tocantinenses nativos e ou os naturalizados de coração, em nada devemos faltar àqueles que lutaram por nossa independência – seja à memória de Teotônio Segurado, seja ao bravio dos brasileiros anônimos que dedicaram seus ideais em prol da criação do Tocantins, seja à luta em todo o seu contexto que não será esquecida por nós.

“O Tocantins não faltará ao Brasil”, disse Siqueira naquela sessão histórica em que Ulysses Guimarães conduziu os constituintes na votação que celebrou a conquista de nossa autonomia no distante dia 05 de outubro de 1988.

Olhando, hoje, depois de mais duas décadas é possível constatar que os tocantinenses não faltaram quando chamados – estiveram firmes na construção do estado e ali, no meio do cerrado, deram rumo a uma nova vida. Mas é que todo tocantinense é assim. Basta ser desafiado, chamado a pensar política, a discuti-la, a refletir o que se quer.

O Tocantins é um berço de fortes e nos genes de sua gente a semente do espírito contestador é parte hereditária – nasce com o tocantinense, pauta sua vida e encerra consigo.

Quem criou o Tocantins?

O Tocantins não foi criado, em tese. Ele já existia como semente do consenso coletivo que moveu os levantes populares ao longo de nossa história: mãos e mentes que se uniram numa missão que em nada lhes faltará a lembrança. Mas foi preciso que Siqueira tomasse o direcionamento desse levante rebelde - que insistiu-se sabiamente em não cessar - e decidir articular-se como todo grande líder com visão estratégica e senso apurado poderia pensar em fazer.

Ora, Siqueira não desperdiçou a oportunidade do valor ao idealismo e à racionalização de suas idéias poéticas quase augustianas. Construiu sua participação neste processo beneficiado pelo momento histórico da causa, mas batalhou por ela, foi atrás do ideal e não se acomodou. Pra isso, apenas querer criar o Tocantins não nos valia a realização desse sonho. Foi preciso seu trabalho de articulação e a Siqueira coube somente a ele o mérito dessa gama política. Fosse fácil, por que não criou-se o Tocantins antes?

Não se pode negar a participação de nenhum dos homens e mulheres envolvidos na criação do Tocantins. Afinal , como personagens perseverantes do improvável não nos é possível faltar ao legado que tantas mentes inquietas deixaram, hereditariamente, na causa chamada Tocantins e esse aguerrimento foi o que nos levou aonde chegamos: um estado idealizado, criado, construído e em ininterrupto crescimento.

Por isso, creio entender o recado do velho Siqueira. Ele fala da instituição e não dos traquejos políticos, das discussões ideológicas ou das idiossincrasias ventiladas por correntes que destoaram o rumo do Tocantins do prumo original. O momento é de atenção. Um estado é mais que um organismo abstrato: precisa de manutenção constante e zelo pelo que representa – seu povo. Mesmo que, muitas vezes, a figura que Thomas Hobbes sintetizou através de Leviatã transmigre ao encontro de estruturas de estados absolutos que desconhecem aonde cabem seus tentáculos na representatividade de sua gente ou ao esquecer o porquê de serem articulações essenciais dessa estrutura federativa da qual somos ligados: o Tocantins é parte do Brasil e dele não foi extirpado. Se fez notar como terra de gente valorosa e disso não abre mão.

Neste ponto, as palavras de Siqueira podem encontrar sentido visionário, mais uma vez, ao valorizar a luta separatista e otimizar aquilo que o futuro nos reserva: o Tocantins não faltará ao Brasil. Mas, isso enquanto os tocantinenses não faltarem ao Tocantins, como brasileiros que são. E como já é sabido da genética de todo tocantinense, desistir da luta é palavra que não faz parte de nosso dicionário – e o “velho” sabe disso.

Fredson Aguiar
Email: f.aguiarpalmas@gmail.com

Fredson Aguiar

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9 Comentário(s)

  • josé honório justus | 15/10/2011 | 00:10
    Comparo a historia da criação do Tocantins com a historia do descobrimento do Brasil.Havia uma terra a ser separada:o Tocantins, onde aqui existiam os primitivos moradores do norte goiano.Assim como na era Cabrália,existia também uma terra a ser descoberta,desbravada:o Brasil. Os portugueses tiveram o seu mérito e se foram, assim também será com o Siqueira com relação ao Tocantins,não será diferente.Um dia ele se irá,mas o mérito incontestável ficara para as gerações de ontem,hoje e de amanhã:o criador do Tocantins
  • Dino | 13/10/2011 | 17:30
    Pelo menos no quesito CORRUPÇÂO, o tocantins não tem faltado a esse Brasil cheios de larapios se trasvestidos de heróis.
  • Angela | 13/10/2011 | 14:45
    Puxa! esse espaço poderia ter outros temas,além destes de sempre,cheio do vazio e mais do mesmo. Puxa saquismo impera. Acho q o Siqueira é 'brabo' desse tanto pra afastar esse povo que só baba.
  • celio | 12/10/2011 | 23:04
    e o presente, faltou ao poeta
  • Alessandra Dias | 12/10/2011 | 10:52
    Siqueira Campos pode ter e tem muitos defeitos, porém, se não fosse por esses motivos não teriamos muito o que contar sobre a crianção do estado. Assim como muitos idealizadores, tem sempre os que concordam e tem sempre quem ver tudo com irrelevancia. Tbm vim pra cá cheio de ideais, e amo essa terra. O Tocantins acolhe bem, as vezes sofremos muito, politicamente tbm. Parabéns, Fredson.
  • Cidadão | 11/10/2011 | 22:02
    Tomara àqueles ideais libertários e democráticos se perpetuassem durante os períodos de governo do senhor Siqueira Campos.Por isso foi e será necessário novos ventos ideológicos para satisfazer ao povo tocantinense.Que luta ,contesta e busca o que lhe apraz,não se deixa imobilizar por algum prumo original e sim realiza o anseio da sua liberdade democrática através do seu espírito contestador.
  • Gilvan Nolêto | 11/10/2011 | 16:33
    É fato inconteste: O tocantinense é contestador, persistente, questionador e por isso o tocantinense não falta ao Tocantins, mas falta aons interesses escusos de quem discursa para um rumo e ruma para outra prática. Uma pergunta interessante...Porque não se crou antes? Sim, porque antes o Siqueira apoiou o regime autoritário dos militares, a ditadura. Criou-se depois, porque o PMDB era maioria e independente de credo, cor ou raça, primou pelo desejo democrático do povo tocantinense.
  • IN TOCANTINS | 11/10/2011 | 12:00
    O puxa-saquismo É O ofício dos artífices inaptos!!!!!!
  • Mayza Aiala | 11/10/2011 | 10:10
    Nao entendi qual o objetivo do texto!!!! Historico? A julgar pelo titulo deveria ter sido mais abrangente com o retrato atual do estado. O tocantinense ror ser muito envolvido com politica, espera mais de um jornalista quando se dispoe a escrever sobre o tema, relatando o passado sem deixar de mencionar o presente ja que o idealizador do estado e o atual governador!

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