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Sexta-feira, 26 de agosto de 2011, 09h20m
Brasil

O Sistema "S" e sua importante contribuição à nação brasileira

O presidente do Sistema Fieto e do Conselho do SEBRAE Tocantins, Roberto Pires, defende em artigo a contribuição à nação brasileira do Sistema "S". De acordo com o presidente "é incorreto atribuir apenas ao "Sistema S" a responsabilidade pelo descompasso entre necessidade das empresas e habilidade e competência dos trabalhadores".
Da Redação 

Utilizando-se da tribuna do Senado Federal, dia 24 de agosto, o Senador do nosso Estado, Ataides de Oliveira teceu novamente críticas ao Sistema “S” afirmando que as instituições não cumprem a LDO não publicando seus balanços com vistas a maior transparência aos seus gastos.

O tema é recorrente e ressurge estimulado por razões políticas ou fatos conjunturais. Ora se questionam a eficiência da gestão privada e a liderança empresarial na formação de recursos humanos, ora se aponta, de forma equivocada, a ausência de controle externo sobre as instituições, forçando a imagem de que todo o Sistema é uma "caixa preta".

É curioso o repentino interesse do nobre senador ao provocar esse debate. Entretanto, é uma boa hora de dar à sociedade argumentos corretos para que forme opinião sobre os "S". Afinal há mitos que precisam ser destruídos.

Um deles é o de que não há controle externo sobre o sistema. Essa afirmação revela desconhecimento. O controle existe, é abrangente e rigoroso. As entidades são e sempre foram auditadas pela Controladoria-Geral da União e pelo Tribunal de Contas da União. Isso sem contar com o acompanhamento permanente das unidades de controle interno, das auditorias dos departamentos nacionais e auditorias externas independentes, além é claro do Conselho Fiscal de cada unidade regional e nacional. Em sua maioria, as Instituições que compõem o “Sistema S” atuam na vanguarda da transparência, todas têm suas contas na internet, permitindo livre acesso aos dados de gestão. E foram pioneiras no modelo de gestão por resultados, planejamento monitorado por indicadores e mapas estratégicos construídos e consolidados de forma participativa.

O modelo de financiamento do “Sistema S” é e deve continuar a ser compulsório. A sociedade deve conhecer e se posicionar a favor da continuidade desse modelo - e por razão relevante: a capacitação é essencial para o desenvolvimento da indústria, do comércio e das empresas prestadoras de serviços e não pode ficar à mercê de decisões individuais e do humor dos ciclos econômicos ou políticos. O sistema privado de formação profissional deve ser avaliado, mas de forma rigorosa, à luz da realidade da rede pública e do papel do Estado, responsável pelas políticas na área da educação.

Esse modelo não é singularidade brasileira. Na Europa, apóia-se em contribuições compulsórias das empresas, semelhante ao formato brasileiro. No modelo americano, a formação é feita basicamente por empresas de grande porte. O sistema não pode ser estatizado e sofrer descontinuidades geradas por instabilidades, seja política, econômicas ou ideológicas.

Que há falta de trabalhadores qualificados em alguns setores da economia tocantinense e brasileira isso é fato. É um argumento real e decorre da aceleração do crescimento nos últimos anos, em especial na Construção Civil. Mas é incorreto atribuir apenas ao “Sistema S” a responsabilidade pelo descompasso entre necessidade das empresas e habilidade e competência dos trabalhadores.

Há que considerar, ainda, que o percurso de evolução econômica é dinâmico e se altera no tempo. Em seis décadas de existência da experiência do “Sistema S” no Brasil (o pioneiro é o SENAI), os ciclos de expansão econômica foram colocando novos desafios à medida que se ampliou a complexidade da matriz industrial; a complexidade e diversidade do comércio e a expansão fabulosa da prestação de serviços com a urbanização do nosso País. Sem esquecer a crescente incorporação de tecnologias que modificaram o perfil requerido para a força de trabalho, inclusive na área rural com a velocidade do Agronegócio.

A mobilidade do capital produtivo é outro fator e cria demanda por escolaridade em que o sistema público exibe infraestrutura frágil, apesar do esforço da brilhante iniciativa do governo federal da proposta pedagógica da educação integral.

As três maiores Confederações econômicas: CNI (Confederação Nacional da Indústria), CNC (Confederação Nacional do Comércio) e CNA (Confederação Nacional da Agricultura) há tempo já diagnosticaram que o baixo nível educacional é fator limitador do crescimento sustentável que o País tanto precisa. Em resposta, desenvolvem programas na área da Educação com níveis de excelência em ternos de proposta pedagógica, transversalidade e tecnologias adequadas à realidade da posição econômica de vanguarda que o Brasil descortina para um futuro próximo. Afinal se o País pretende ser a quinta economia do Planeta, significativos recursos estão sendo e deverão ser aplicados em educação, lazer, cultura, saúde, gestão empresarial e bem estar dos trabalhadores e seus familiares, além dos inúmeros programas de responsabilidade social que são oferecidos gratuitamente a toda comunidade.

Esses argumentos certamente não esgotam o assunto. Mas são elementos para a construção de um debate mais substantivo sobre o “Sistema S”.

Parabéns aos senadores Kátia Abreu e Armando Monteiro, deputado federal César Halum e demais parlamentares que defendem o Sistema S, que vem, ao longo de décadas contribuindo de maneira correta e transparente para o desenvolvimento do nosso país.

Roberto Pires - Presidente do Sistema Fieto e do Conselho do SEBRAE Tocantins
e-mail: presidencia@fieto.com.br

Roberto Pires

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8 Comentário(s)

  • Mayza Aiala | 30/08/2011 | 08:29
    OBSERVATORIO SOCIAL DE PALMAS, meus comentarios nao distoam dos seus. Somos da mesma linhagem. Tbm gosto muito de suas observacoes, sempre repletas, de justica e com muito bom senso. Obrigada!
  • Observatorio Social de Palmas | 29/08/2011 | 19:15
    Mayza, você sempre muito arguta nos seus comentários, parabêns.
  • Observatorio Social de Palmas | 29/08/2011 | 19:15
    O Senador Ataídes tem razão em seus questionamentos.
  • Observatorio Social de Palmas | 29/08/2011 | 19:14
    Todo aquele que defender a transparência, tem nosso apoio.
  • Mayza Aiala | 29/08/2011 | 10:15
    Prezada ANGELA, Nao tenho chance alguma! Eles (politicos), me queimariam na primeira oportunidade! Eu seria muito processada por nao compactuar com corrupcao! perderia meu patrimonio somente tentando me defender, unicamente por dizer a verdade. SINTO VERDADEIRA REPULSA PELA FALTA DE HONESTIDADE DELES! SOU A FAVOR DA RENOVACAO DO QUADRO POLITICO, pessoas serias e honestas, assim como o Senador ATAIDES, QUESTIONADOR, SERIO, DESTEMIDO e ETICO! Vamos votar nele que ja e politico? Abracos!
  • João Paulo | 27/08/2011 | 15:41
    Nossa, esse cidadão só deve pensar que todos somos idiotas/burros/analfabetos para falar tanta besteira. É óbvio que "ele" vai defender o status quo que tanto deve beneficiá-lo. É muito fácil a vida desses que fazem esse tal de sistema "S"... recebem uma monstruosidade de dinheiro e ainda cobram "caro" porque qualquer ação que desenvolvem. Muito bom o senador ter trazido esse assunto à tona. Chega de a sociedade bancar a "boa vida" de tanta gente ruim.
  • Angela | 27/08/2011 | 13:16
    Mayza, vc deveria se candidatar em 2012. ser uma opção de voto de quem n aguenta mais votar nas mesmas caras e nas mesmas propostas. E se for eleita,continue a ser presente nos assuntos que envolvem os interesses públicos, assim como vc aqui como comentarista.
  • Mayza Aiala | 26/08/2011 | 14:12
    Os questionamentos do SENADOR ATAIDES sao repletos de coerencia e razao! O sistema s nao desenvolve o trabalho social da forma como deveria, cobra precos elevados p/ qualquer curso, limitando dessa forma a participacao do menos favorecido, isso e fato! Tbm e fato que esse sistema e cabide de emprego. Outro fato e a falta de transparencia com os recursos arrecadados. A maioria de seus representantes, sao cargos politicos, eis ai o motivo de tanta defesa!!! Queremos q esse sistema cumpra seu papel

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