Assistindo e noticiando nos últimos dias o acordo para que Sadi se afaste da vaga que ocupa de Senador da República pelo Tocantins como primeiro suplente de Leomar Quintanilha (PMDB), e abra espaço para Luiz Tolentino, algumas coisas ficaram evidentes.
O petista levou muito à sério a oportunidade de ser senador por quatro meses – prazo do acordo feito entre ele, Leomar e o governador Carlos Gaguim – e ocupou com muita rapidez os espaços que seu partido lhe abriu no Congresso e no governo.
Organizado, Sadi Cassol tirou da pasta boas idéias que tinha desde seu tempo de vereador em Palmas e chamou a atenção da mídia nacional com iniciativas como baixar a contrapartida obrigatória dos municípios nos convênios federais. Outros projetos importantes do senador estão em tramitação.
Circulando com desenvoltura de Palmas ao Estreito, Sadi fez o dever de casa na defesa dos interesses não só da Capital, como de comunidades necessitadas, a exemplo dos ribeirinhos de Estreito, insatisfeitos com o Consórcio Ceste.
Com a mesma leveza circulou pelos ministérios, ocupou a tribuna do Senado várias vezes. Por outro lado, se posicionou no enfrentamento aos adversários do DEM, no caso da CPI do MST, provocando a discussão de assuntos delicados como o caso Campos Lindos, ainda mesmo antes da Revista Carta Capital voltar suas baterias contra a senadora Kátia Abreu.
Levando a sério
Assim, para quem conhece Sadi Cassol e sua formação política, não é de se estranhar que ele não queira por exemplo, renunciar ao mandato de suplente de Senador em pleno exercício deste. Se fizer isso levará a pecha para sempre junto ao eleitorado. Renúncia é uma coisa que não se pede em sã consciência a um político que pretende seguir carreira.
O outro caminho, usado por dez entre dez “caras de pau” da política brasileira é fingir que está doente e pedir licença para tratamento de saúde. Sadi se esquivou desta saída. Também não se pode lhe tirar a razão. As fraudes ao INSS cometidas por vereadores, deputados, e senadores que se utilizam desta estratégia para acomodar seus aliados já deveria ter sido objeto de investigação e denúncia.
Assim, restou a última alternativa: Sadi ser “chamado” para ocupar uma secretaria municipal ou estadual. Ora, da Ouvidoria ele já saiu para o Senado. Para convocar Sadi por pouco mais de 40 dias (já que se for candidato tem que se desincompatibilizar em abril) para ser secretário, o prefeito Raul Filho (PT) teria que desmontar seu intricado acordo que acomodou os partidos no governo municipal de Palmas.
A mesma coisa acontece com o governador Carlos Henrique Gaguim (PMDB), que tem seus compromissos já atendidos. A conclusão para mim é que faltou aos artífices do acordo estudar antecipadamente a saída jurídica para cumprir o trato político. E uma vez necessário, ter antecipado sua saída antes do recesso terminar.
Agora, chegar a esta altura dos acontecimentos acusando Sadi de estar tentando melar um acordo por não ter palavra, é um absurdo e uma injustiça. No curto espaço de tempo pelo qual passa pelo Senado, Cassol tem sido um exemplo de dedicação e seriedade. E está certo em preservar a imagem construída com trabalho de anos, na hora da saída.
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