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Sexta-feira, 19 de junho de 2009, 08h46m

O discurso da industrialização

Venho acompanhando as ações do governo, percebo que a tão esperada industrialização já chegou ao Tocantins, para as pequenas e médias empresas. Porém, falar de industrialização para grandes empresas, o caminho é longo, vejamos o porquê.
 

Para atrair grandes investidores será necessário consolidar algumas etapas anteriores à industrialização, uma política que fomente os insumos básicos como a produção de matéria prima, escoamento destes produtos industrializados ou não, uma política que assegure o incentivo fiscal sem prejuízos para o estado, energia elétrica mais barata e mão de obra qualificada.

A produção no Estado é tímida, não oferece confiabilidade ao investidor, como é o caso da matéria prima que não existe para o ano todo. É verdade que governo vem expandido a malha viária, não medindo esforços para que a ferrovia norte/sul, a hidrovia Araguaia/Tocantins e as plataformas multimodais se tornem uma realidade, para atrair grandes indústrias. Mesmo assim, será preciso elaborar uma política de incentivo fiscal e baratear a nossa energia, que hoje é considerada uma das mais caras do país.

Qualificar a mão de obra local, para que as grandes indústrias não tenham a necessidade de buscar de outros estados como acontece hoje. O nosso povo é trabalhador, já vem sofrendo há anos, com esta tão sonhada qualificação profissional que não chega a sua porta. Os trabalhadores que vem de outros estados trazem na bagagem a qualificação exigida pelo mercado, ocupando as vagas existentes, restando ao tocantinense aumentar os índices de pobreza e desequilíbrio social, ou então trabalhar em grandes fazendas, como escravos, conforme notícias amplamente divulgadas pela mídia nacional.

A política de qualificação profissional vem sendo praticada no estado pelo sistema “S”, pela Secretaria Estadual da Juventude, mas ainda é tímida frente à demanda que o estado tem. É preciso investir mais na educação do estado, estou falando de educação tecnológica e profissional. Capacitar nossos jovens para o mercado de trabalho, para futuras indústrias que por ventura venham se instalar no coração do Brasil. Outros estados vêm consolidando este modelo de política educacional, construindo as “Escolas Técnicas Estaduais”. E por que o Tocantins ainda não colocou esta política em prática? Estamos prestes a receber em Palmas quatro grandes redes de supermercados e pelo jeito terão que buscar mão de obra qualificada fora do estado para atender seus padrões de qualidade.

A política de industrialização começa pela educação profissional. Quando alguns dirigentes partidários manifestam publicamente, enfatizando que o tom do discurso em 2010 será a industrialização do estado, fico preocupado. Ora, que industrialização é esta? Industrializar o quê? É somente discurso para ludibriar o eleitor? Alerto os nobres dirigentes que o eleitor tocantinense não é mais aquele de 20 anos atrás, está mais politizado, longe do ideal, mas bem melhor do que aquele dos anos 90, com a consciência mais apurada na escolha do seu candidato, uma mostra foi dada nas eleições de 2008.

Os postulantes a cadeira número 1 do Palácio Araguaia em 2010, se querem realmente chegar lá, comecem a elaborar um plano para a nossa educação objetivando a formação tecnológica e profissional. Somente a educação pode alavancar outras políticas para o estado: a industrialização, segurança, saúde e etc., sem educação o estado não cresce, o povo sofre, e o tão esperado progresso industrial não chegará por estas bandas de cá.

Luciano Coelho de Oliveira

Luciano Coelho

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