A noite tinha tudo para ser só glamour. Estavam presentes o vice-governador, Eduardo Machado (PDT), a deputada Josi Nunes (PMDB) e sua mãe Dolores, secretária de Ação Social, o senador João Ribeiro (PR), de um lado. De outro a senadora Kátia Abreu, os deputados democratas Osires Damaso e Toinho Andrade. E o presidente nacional da OAB, prestigiando a cerimônia.
O discurso de Ercílio Bezerra, que começou a ecoar, e a repercutir logo depois da festa, foi duro. Demonstrando não ter esquecido a reta final de uma campanha “quase sangrenta” em que percebeu-se claramente uma movimentação na base do governo para partidarizar a disputa, e jogar os votos da base governista em favor de Júlio Solimar, Ercílio não poupou críticas a uns e elogios a outros.
Criticando governo e Assembléia
A rapidez com que determinados projetos tramitam “e são aprovados em 48 horas”, por determinação do governo, “ e sem discussão”, foi duramente atacada pelo presidente da Ordem. Ao criticar a condução que o governo dá a assuntos importantes – diante do vice-governador, Eduardo Machado – Ercílio disse que só dois deputados estão preocupados em discutir os assuntos de interesse da sociedade. E citou os democratas Osires Damaso e Toinho Andrade.
A senadora Kátia Abreu (DEM), que teve sua imagem ligada à de Ercílio através de faixas colocadas nas rotatórias na reta final sugerindo seu apoio a ele, foi bastante elogiada. Na condução da CNA, a senadora tem comprado brigas grandes, e se aproximado bastante do judiciário. Na semana que antecedeu o carnaval, inaugurou o Observatório das Inseguranças Jurídicas em Brasília, com a presença do Ministro Gilmar Mendes, do STF.
A irritação do governo – em alguns momentos, é bom lembrar - com os questionamentos da imprensa, também foi lembrada. E a “retirada do ar, de programas de rádio, sem explicação”, no que foi classificado por Ercílio de “momentos de chavismo”, citada de forma contundente.
O que fica para os que ouviram e estão comentando o discurso do presidente da OAB Tocantins na sexta à noite, é que a relação institucional do governo com a direção da Ordem no Tocantins ficou comprometida pelo episódio da eleição, entre outros. Uma OAB crítica conviverá com o governo nos próximos meses.
Observando a entrevista concedida ao Site Roberta Tum pelo experiente Totó Cavalcante - em que ele mostrou à nossa equipe o levantamento feito pelo conselho político dos erros cometidos pelo governo nestes primeiros meses – fica claro que o governador Carlos Gaguim tem ao seu lado auxiliares com a visão macro do que precisa mudar.
O perfil trabalhador é por certo a maior qualidade do governo Gaguim. Seu esforço em acertar, administrativamente, também é importante reconhecer. Mas as relações institucionais precisam melhorar muito. O episódio da OAB e outros demonstram isso. Do lado de cá da notícia a gente fica torcendo para que o Conselho Político realmente consiga aconselhar bem e ser ouvido pelo governador. Conseguindo corrigir o rumo e limpar os rastros de autoritarismo que estes seis meses de governo já deixaram para trás.
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