“Quantos votos você acha que o Avelino deu ao Siqueira?” A pergunta que ouvi nos últimos dias já por duas vezes reflete um pensamento que parece estar tomando corpo em meio a líderes peemedebistas: a de que o ex-governador e deputado federal Moisés Avelino foi fator determinante para a derrota de Carlos Gaguim ao governo. A conta que fazem é que o deputado federal teria transferido no mínimo quatro mil votos a Siqueira, e que esta diferença foi fundamental no resultado da eleição.
Na verdade, logo após divulgados os resultados das eleições, o próprio Dr. Moisés resumiu em uma frase o sentimento de ter sido derrotado pelo governador atual na busca pela reeleição na Câmara Federal, e em contrapartida tê-lo derrotado em sua busca pela reeleição ao governo.
Só que a coisa é mais complexa. As pessoas simplificam muito ao tentar atribuir a responsabilidade de uma vitória ou uma derrota a um ou outro líder, ou a segmentos específicos, ou a fatos isolados. Não é bem assim. Afinal 349.592 mil votos custam muito a ser reunidos, para que sete mil votos façam a diferença no final.
Tenho ouvido de tudo nestes últimos dias, até por que jornalista da área política escuta mais confissões e lamentações do que padre em sacristia. As avaliações simplistas são as mais comuns. As mais elaboradas tenho ouvido de quem conhece minimamente o funcionamento de campanhas políticas.
Nas contas, o inconformismo contra Avelino
O que percebo é que há dentro do PMDB, principalmente partindo de líderes importantes, uma mágoa clara com Avelino. E por outro lado, também com Reis. Na entrevista ao “na Ponta da Língua”, o deputado Iderval Silva atribuiu ao desejo e tentativas de Reis em emplacar uma candidatura ao Senado sua derrota à reeleição. Mas não é só isto. Quem é que não sabe que Reis mandou para Siqueira um prefeito – Valtênis Lino, de Santa Fé, que comanda a ATM – e um forte candidato a deputado estadual?
Quanto ao peso de Avelino na campanha de Siqueira não restam dúvidas. Moisés Avelino é um ícone na política do Estado. Foi governador. É deputado federal. Elegeu o filho deputado federal uma vez, e a esposa prefeita de Paraíso. Sua derrota nestas eleições é o reflexo não só de um, mas de vários fatores. Rompido com a cúpula do partido, apoiando abertamente Siqueira, Avelino figurava em todas as pesquisas entre os mais votados.
Perdeu na reta final, para as estratégias montadas pelos candidatos de sua própria coligação. Mas antes disso sofreu as conseqüências de estar no palanque adversário, a começar por ser preterido nas propagandas de TV e rádio.
Se sair, ex-governador pode ser seguido por outros
O que percebo é que a nítida posição de Dr. Moisés em apoiar Siqueira teve dois efeitos: contribuir para a vitória do governador eleito, e contribuir para sua própria derrota a federal. O preço do fato de ficar sem mandato, o peemedebista histórico sentirá nos próximos anos. Ou não. Moisés Avelino tem para onde voltar, e ao que se sabe tem como viver bem se dedicando ao patrimônio que construiu mais como médico do que na política.
O fato é que o PMDB está entrando numa fase de reconstrução, e parece querer encontrar e expurgar culpados neste processo. É um caminho perigoso. Vai expulsar Avelino? Vai convidá-lo a entregar carta de desfiliação? Resta aguardar. Na fala do deputado Iderval Silva nesta sexta ficou claro o recado: “quem já não se sente bem no partido, é melhor sair”.
Se Avelino puxar a fila, pode até satisfazer os que estão ressentidos. Mas com certeza não sairá sozinho. Este é um capítulo que quem viver assistirá nos próximos meses no Tocantins. Depois do resultado das eleições presidenciais.
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