O quadro sucessório no Tocantins está embaralhado. Pelo menos quando se fala na base governista. Isso em se tratando dos dois governos: estadual e federal. A oposição, embora não declare abertamente, já se acertou, e marcha agora para ampliar a frente de aliados.
Refletindo sobre os últimos acontecimentos, e depois de mais ouvir do que falar nos últimos 15 dias, numa consulta a interlocutores experientes do PMDB, PR, PT, PDT entre outros, chego à conclusão que motivou o título: nas mãos do governador Gaguim e nas suas escolhas reside metade da definição do resultado das eleições deste ano.
Explico. Na primeira hipótese, Gaguim pode decidir por disputar a reeleição. Tem a prerrogativa de fazê-lo sem se desligar da administração pública. Para tanto tem o apoio dos deputados do PMDB, e manteria consigo parte da base aliada. Mas enfrenta resistências internas, dos que já deixaram claro não crer numa vitória sua sobre o ex-governador Siqueira, que ressurgiu no cenário esbanjando saúde, espírito conciliatório e liderança.
Desincompatibilização
Voltando às escolhas de Gaguim, o governador tem ainda outras opções. Pode apoiar o prefeito da Capital Raul Filho, que é da base do presidente Lula, e com quem segundo contam nos bastidores, está tecnicamente empatado nas intenções de voto. Apoiando Raul, Gaguim pode permanecer governador até o último dia, como anunciou que faria quando se candidatou ao mandato tampão.
Mas uma conversa insistente começa a tomar conta das rodinhas no meio político. O governador estaria estudando a possibilidade de se desincompatibilizar no dia 4 de abril. Esta hipótese só é possível se Gaguim estiver pretendendo disputar cargo no parlamento. Senador, deputado federal, “ou até estadual”, confidenciou uma fonte palaciana.
Fazendo isto o governador na realidade partiria para o “plano B”: preparar terreno para ser candidato à prefeitura de Palmas em 2012, sonho antigo seu. Por mais absurdas que pareçam as hipóteses levantadas, elas estão em discussão no meio político, e ganharam corpo nos últimos dias.
No centro do processo decisório, e tendo imposto sua liderança a um partido de antigos líderes, o governador do Tocantins tem nas mãos mais que uma caneta com o dom de conceder benefícios ou espalhar punições. Gaguim é um político privilegiado, num momento único da história do Estado. Tem nas mãos a responsabilidade não só com o que acontecerá ao seu partido, o PMDB. Mais que isso, tem participação decisiva nesta eleição. Uma história que já começou a ser escrita há meses. Na discrição dos grandes acordos selados longe dos holofotes e da mídia. Em silêncio.
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