O ex-prefeito de Porto Nacional Paulo Mourão (PT) fez um gol de placa ontem ao registrar sua candidatura ao Senado pela Coligação Força do Povo após um dia de intensas articulações. Para chegar a este resultado usou literalmente o deputado federal Vicente Alves, o Vicentinho e o Senador João Ribeiro, a quem pediu ajuda junto ao ministro Padilha, e até com um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff, Zé Dirceu. Vamos aos fatos.
Conversa em Brasília
Na terça-feira à noite em Brasília, Mourão teria procurado o deputado Vicente Alves (PR) para pedir ajuda. Ele queria a interferência de Vicentinho e João Ribeiro, ambos do PR e da base de Lula, para interceder junto à Padilha e manter sua candidatura ao governo do Estado. Mourão estava choroso, e dizia estar sendo "esmagado" por Raul e Donizete. Na prática, o grupo de Siqueira Campos ganharia com a divisão da base de Lula. Estaria assim, prestando um serviço à UT, agora chamada Tocantins Levado à Sério.
Café da manhã em Palmas
Ontem, dia da convenção, outro encontro aconteceu. Desta vez em Palmas, entre Mourão, Vicentinho e desta vez João Ribeiro. O café da manhã começou cedo, na casa da irmã de Paulo, Lurdinha, nas proximidades do antigo Palacinho. Foi uma longa conversa, de duas horas. Nela Mourão pedia ajuda para ser candidato, inicialmente, e para se manter candidato depois.
O compromisso feito com os dois candidatos do PR ao Senado era ir para a reunião do PT com dois objetivos: manter candidatura ao governo derrotando o grupo do prefeito Raul Filho (PT), a quem Mourão atribuiu esvaziamento da sua chapa. Caso não conseguisse manter-se candidato, o ex-prefeito de Porto disse aos dois que não seria candidato a nada, “sairia atirando”, e apoiaria o grupo de Siqueira.
Telefonema no intervalo da reunião
Mourão cumpriu a parte da promessa que lhe interessou. Foi à reunião e partiu para o ataque contra o prefeito Raul. Lá, bateu o pé para manter candidatura. Não conseguiu. Os votos de Donizete Nogueira - que ninguém sabe ainda até onde conhecia as articulações - foram suficientes para aprovar a aliança com o PMDB.
No intervalo, Mourão telefonou para Vicentinho. Disse que a primeira parte estava concluída e que ele não seria candidato ao governo, mas que em seguida partiria para o embate a fim de derrotar Raul e impedir a candidatura de Solange Duailibe ao Senado. Havia inclusive a possibilidade de José Messias, da Caixa, ser o candidato ao Senado. E foi aí que Donizete entregou a Mourão a vaga para representar o partido na majoritária governista.
Ataque no sábado, elogios na quarta
Ao lado de Gaguim e Marcelo na noite de ontem, Paulo Mourão chegou a dizer que deve favores aos dois, e que como secretário de Marcelo deixou coisas inacabadas que Gaguim estaria concluindo. Isso depois de chamar o Palácio de balcão de negócios, acusar o governo de comprar pesquisas através de sindicatos e federações, entre outras pérolas devidamente registradas na convenção do PT no sábado, 26.
Em menos de 24 horas, Mourão colocou a seu serviço dois políticos experientes e maduros: Vicentinho e João Ribeiro. Fritou Raul, a maior liderança petista, dentro de um partido que passou perto de ser expulso ano passado. E sagrou-se candidato ao Senado. Não restam dúvidas: a trilha de Ayrton Senna que marcava sua linha de chegada tocou ontem na convenção do PMDB, especialmente para Mourão.
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