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Segunda-feira, 13 de junho de 2011, 15h25m

Memórias Póstumas de uma vida breve

A jornalista Georgethe Pinheiro em seu artigo relembra a saudade da ausência de Luana. "Sempre tive muita dificuldade em lidar com a morte, mas a passagem de Luana foi um divisor de águas. Continuo achando de extremo mau gosto, a forma que essa senhora invade nossas vidas". Confira!
 

Já tem pouco mais de um ano, e um raio de vida ainda gira em torno da saudade e da ausência de Luana. Lembro com detalhes ela dizendo que iria embora pra Londres, pensando em detalhes práticos e sonhando sonhos possíveis. Acho que Luana fez isso de propósito, pra deixar um alento a nós, que ficaríamos sem sua presença. Pensar que ela está em Londres é mais fácil. Dá a certeza sobre sua volta.

Sempre tive muita dificuldade em lidar com a morte, mas a passagem de Luana foi um divisor de águas. Continuo achando de extremo mau gosto, a forma que essa senhora invade nossas vidas. É muito antagônico! Ela chega e põe fim a coisas que mal começaram, a sonhos que se preparavam para se tornar verdades.

Porém, no caso específico da morte de Luana, além da saudade, da ausência sempre presente, também ficou a sensação de algo que não terminou, que não foi bem explicado. Muitas vezes, antes de dormir, ou no meio do dia, me pego distraída pensando no que aconteceu. Qual foi a circunstância real daquele acidente? Por que com ela? O que ela sentiu? Medo, frio...? Porque ninguém apareceu pra socorrê-la? Porque a demora em encontrá-la, já sem vida?

Sei que estas são perguntas comuns a quem perde. Sei também que essas perguntas jamais serão respondidas. Mas elas estão sempre presentes, povoando a cabeça de quem, a meu exemplo, nunca entendeu direito como uma menina, ainda começando a vida foi tragada por essa senhora que todos nós encontraremos mais cedo ou mais tarde e com quem teremos o último embate.

A única coisa que tenho certeza é que essa história tem algo a nos ensinar. Nos resta saber aprender e, principalmente, conseguir entender o que Deus quer que aprendamos. De modo particular, aprendi a exorcizar fantasmas, reais ou não. Mas, a cada um, sua própria realidade, seu próprio quinhão.

Outra coisa que aprendi, é que a vida não se esvai, simplesmente. Ela pulsa! Ela exige! A vida é feita do que acreditamos. E Luana, quem conviveu com ela sabe do que estou falando, era justa. Tinha lá suas medidas, seus arroubos, mas era justa! E era linda. Não uma beleza qualquer, pois essa é comum, vulgar. Sua beleza nasceu da força, da crença e de tudo o que ela construiu em seus breves dias.

Nem eu sei, ou talvez saiba, o por que dessa homenagem póstuma e tardia. Mas, todos os dias, desejei não fazê-la. Só que meu coração se tornou exigente, querendo que eu falasse da saudade e da ausência dessa amiga, que vimos desabrochar e fenecer tão cedo. Porém, Luana sempre será uma pessoa que VIVEU E FOI FELIZ!

Georgethe Pinheiro

Georgethe Pinheiro

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3 Comentário(s)

  • maria da penha noleto da silva | 08/08/2011 | 13:17
    Georgete, achei imensamente bonito o que vc escreveu, nos faz refletir mais sobre a vida, e o quanto a saudade nos machuca...de modo que nos ensina a valorizar mais as amizades, a vida, pois passa rápido e quando percebemos já se foi!....um grande abraço.
  • MIGUEL MARCELO FERNANDES | 14/06/2011 | 08:06
    VOCE COLOCOU EM POUCAS PALAVRAS O SENTIMENTO QUE SINTO PELA PERDA DE LUANA,E DO KIKO.
  • Gilvan Nolêto | 13/06/2011 | 17:06
    O mínimo que se pode dizer é que você estava bem inspirada, ao preparar esse desabafo regado a saudade, ou bálsamo para a saudade em forma de letras. Escreva mais, Georgete!

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