Os foliões da capital, estão meio órfãos pelo segundo ano seguido, quando o tema é a festa carnavalesca. No primeiro ano que deixou de fazer, o prefeito Raul Filho(PT) justificou-se: a redução dos recursos da capital tinham sido imensas, e as prioridades no uso do dinheiro público eram outras. Concordei e apoiei ano passado neste artigo aqui, por mais que fosse um discurso e uma prática extremamente impopulares.
Agora, em 2012, assim como aconteceu com a falta dos enfeites natalinos por dois natais, a cena se repetiu. Então não é falta de dinheiro, nem de planejamento. É uma opção de gestão. E é aqui que separo o gosto pessoal (meu, de não brincar carnaval), do que é direito de todos (os que gostam da festa e querem brincar), para defender que o município apóie tudo: de movimentos religiosos, espiritualistas, ambientalistas e de voluntários – que se excluem da festa de Momo e aproveitam esta data para se reunir – ao carnaval, como festa cultural que tem adeptos e gera visitação, aquecimento do comércio e renda.
É verdade que o carnaval estimula o consumo do álcool, e provoca problemas maiores no trânsito, e acumula lixo nas ruas. Afinal é uma festa popular, com os ônus e os bônus que todo mundo conhece.
O problema é que a comunidade carnavalesca de Palmas não aceita o abandono de algo que vinha criando uma tradição - desde que a cidade foi criada – de dar a opção aos que querem brincar, de ter atrações interessantes na avenida, ou no espaço reservado a este público e atividade.
A pequena quantia que a Fundação Cultural de Palmas destinada a blocos - que a comunidade carnavalesca confirma ter ficado para receber depois do carnaval - e o Trio do Paraíba no estacionamento de frente à prefeitura na Avenida Theotônio dão a dimensão a que foi reduzida a festa carnavalesca de Palmas: um arremedo sem graça, sem interesse nenhum. Um fiasco de público e de crítica.
Consequência: quem quis um carnaval alternativo subiu a serra para brincar a festa em Taquaruçu. Mesmo enfrentando os perigosos buracos da TO-030, responsabilidade do Estado (por que é rodovia estadual) e do município (por que é ligação entre o Plano Diretor e o distrito).
Taquaruçu que segue largada à própria sorte, fora do período carnavalesco, sempre aos domingos, quando é tomada por toda sorte de excessos (do som automotivo no máximo volume, ao consumo de álcool desenfreado e à presença de menores em situação de risco na Praça Maracaípe). Mas isso é tema para outro artigo, e uma série de reportagens especiais.
A presença do poder público como incentivador e apoiador da festa carnavalesca, com certeza vai ser tema de discussão dos próximos candidatos a governar o Paço Municipal. E a cobrança para que o poder público volte a apoiá-la de forma incisiva, virá, podem ter certeza. O que sou contra, e permaneço contra é o excesso. Houve um tempo em que foi necessário investir muito para colocar Palmas no destino turísco de carnavalescos e inverter a rota (Palmas- Goiânia/Rio/Salvador/Recife). Aquele dinheirão todo não pode e nem deve voltar a ser gasto. Mas o que se vê hoje é o extremo, equivocado.
Esta é uma discussão que já tomou conta das redes sociais no final de semana e feriadão, revelando o protesto e a insatisfação de muitos. Alegria com o pífio carnaval proporcionado com o apoio do município só mesmo na propaganda (também tímida) que roda na TV: “Carnaval em Palmas. Aqui sou mais feliz”.
Hein?!
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