A pergunta que não quer calar nos últimos dias tem sido: quem assumirá a pasta da Saúde? Movimentando recursos consideráveis, a pasta é fonte de preocupação de qualquer governante basicamente por dois motivos: lida com a vida e por conseqüência com a morte quando o sistema não funciona provocando reações indignadas, apaixonadas, destemperadas; é o maior fator de insatisfação da população com os governos, sejam eles quais forem.
A explicação avessa que tem sido dada ao longo dos últimos anos no Tocantins não ameniza o fato de que as pessoas não se sentem assistidas pelo sistema de saúde que nós temos. Os argumentos mais comuns são de que o Sistema Único de Saúde permite que pacientes de outros estados migrem para o nosso em busca de melhor assistência do que têm em suas regiões, superlotando hospitais.
Falou-se em criar um sistema de ressarcimento por usuário atendido fora do seu Estado. Como uma espécie de cartão de crédito, o cartão de saúde daria o direito a unidade que atendeu o paciente, receber do SUS por isto. Ainda estamos longe de que uma coisa assim se torne realidade.
No interior do Estado, o melhor atendimento médico é a ambulância. Nela, prefeitos embarcam seus pacientes/passageiros, em busca de exames mais complexos e atendimento especializado no HGP, na capital. Aqui, o hospital vive superlotado por fazer o papel de pronto atendimento, e de hospital de urgências. É a receita para o caos que estamos habituados a ver e a viver.
E a solução, onde está?
A busca da solução para o problema da Saúde passa pela mudança no sistema nacional, o que não está ao alcance do gestor que assumirá o Palácio Araguaia nos próximos dias. Mas além desta questão, outras soluções existem para que o Tocantins encontre a sua maneira de lidar melhor com a saúde de seus cidadãos.
O problema maior que o governador eleito tem enfrentado é que falta quem queira e tenha em seu perfil competência e disposição para assumir tamanha carga só. Para mudar a saúde no Tocantins então será preciso um esforço conjunto. Nos bastidores ouvi falar em um comitê gestor, para tirar a Saúde do estado precário em se encontra nos primeiros seis meses de governo.
Números mostram gordos contratos mensais
Numa lista que recebi há mais de um mês especificando os gastos mensais pagos pela Sesau à empresas há contratos para tudo, com valores altíssimos, provocando uma sangria nos recursos destinados à área. Da fonte 45, recursos do SUS gerenciados pela Sesau saem mensalmente perto de R$ 10 milhões. Além disto cerca de 70 empresas com faturamenteo abaixo de R$ 10 mil responderiam por um desembolso em torno de R$ 750 mil mensais.
A se confirmarem os números destes contratos, alguns absurdos, como o pago para eventuais manutenções, é necessário que se tornem objeto de acurada investigação, pois escondem caixinhas, mensalões e coisas do gênero para agentes do infortúnio alheio aumentarem seus patrimônios pessoais.
Há que ter coragem para quebrar este esquema tão complexo. Coragem, respaldo político, impessoalidade e competência administrativa. Esta é a receita para o novo gestor/gestora que responderá pela pasta. Toda uma sociedade atenta espera por isto.
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