Quero falar hoje da figura humana de Marcelo Miranda (PMDB) e faço questão de começar deixando isto muito claro. Esta não é uma análise administrativa do seu governo, dos erros e acertos na condução de sua equipe, do que a justiça julgou e condenou como prática de crime eleitoral, ou dos fatos que levaram à sua cassação. Estes estão fartamente divulgados, comentados e pelo TSE, devidamente punidos.
É que tenho assistido de longe o calvário vivido por Marcelo desde o período de sua pré-candidatura - quando dentro do PMDB viveu dias de agonia com a ameaça de não ter legenda – passando pela confirmação de seu nome na convenção, a aprovação do projeto Ficha Limpa e agora os questionamentos jurídicos em torno do registro ou não de sua candidatura ao Senado.
Me lembro dos dias de julho do ano passado, quando um Marcelo condenado e cassado, numa decisão que já se sabia sem volta, “sangrava” em praça pública com o esvaziamento do poder, antes que este de fato lhe fosse tirado. Foi uma agonia. Secretários descumpriam ordens, deputados não retornavam ligações, o prestígio se esvaia na cúpula e ele resistia.
Um dia que ficou na história e certamente constará nos relatos das crônicas sobre este período da política tocantinense foi aquele que se seguiu à votação dos sete ministros do TSE. Estavam em Palmas para uma reunião do fórum de governadores da Amazônia, diversos chefes do executivo estadual. Marcelo foi para a reunião, e cumpriu sua agenda, mesmo naquele que talvez tenha sido o pior dos dias de sua carreira política.
Os dias de julho atuais
Agora a cena se repete. Primeiro foi o anticlímax dentro do PMDB. As pesquisas indicavam sua popularidade nas ruas, mas dentro do partido os magoados do passado acenavam com uma candidatura a federal, ao invés de senador. Este tempo passou. O projeto Ficha Limpa foi aprovado e os questionamentos vieram, com a sugestão de Osvaldo Reis de que Marcelo fosse substituído. Não foi.
Com o registro solicitado e enfrentando ação de impugnação, Marcelo recebeu numa só semana dois golpes. Osvaldo Reis colocou o governador Carlos Gaguim na parede: não caminha com Marcelo, nem sobe no palanque em que ele esteja. Aliado de última hora, o prefeito da capital, Raul Filho também declarou que não o apóia. Resquícios da relação governo e capital? Sobras da campanha em que Marcelo apoiou Nilmar e preteriu Raul? Vai saber.
O certo é que nos dias de julho atuais, novamente o ex-governador e candidato ao Senado é o homem que sangra na praça. A popularidade segue entre as camadas mais simples da população. Os verdadeiros amigos não o abandonaram. A civilidade, o jeito humano e toda a contribuição que ele deu ao processo político do Tocantins continuam contando a seu favor. Mas estão tornando o dia a dia do mais popular candidato ao Senado que a Força do Povo tem, num calvário desnecessário.
A justiça definirá novamente o destino de Marcelo e este é um resultado que ninguém pode antecipar. Mas entre as qualidades que este moço tem estão a fé, a humildade e o companheirismo. Só isso já o tornaria grande no enfrentamento deste novo julho de agonia.
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