A morte da ideologia político-partidária foi decretada sem assinatura de políticos ditos honestos. Tampouco dos básicos. Ela vinha definhando há algum tempo e depois de um velório sem lágrimas, foi sepultada no processo eleitoral de 2010. Suspeita-se de envolvimento do Interesse Pessoal. Essa é a impressão que fica quando se observam referências partidárias filiadas ao PMDB e o PT golpeando a ideologia que consagrou esses partidos.
Todo partido visa o poder. A diferença está no conteúdo programático. E pressupõe-se que esse programa seja um compromisso político social que envolva os interesses da nação. É pela identificação com ideais comuns que, em tese, um partido conquista a confiança de pessoas ou grupos. Mas sem essa ideologia, a coerência se esvai, descaracterizando a identidade político-partidária que se tenha.
O problema é que no vácuo da coerência surgem discursos dúbios e contraditórios, que confundem o eleitor e o torna indeciso. A última pesquisa IBOPE apontou 17% de indeciso. Não é para menos. Há muita referência partidária, candidato ou não, com duas velas acesas, a ponto de se queimar, se descaracterizando e tentando justificar o injustificável. Partidos não são iguais. Há diferença e eu peço licença para, respeitosamente, usar como exemplo, o PMDB e o DEM, ainda que incomode.
O PMDB prega a melhoria das condições sociais de vida, uma distribuição de renda mais justa e defende a dignidade cidadã, pela qual, cada um deve ser livre. O DEM, por ser um partido com categorias mais elitizadas, face ao padrão sócio-econômico mais elevado, pode não ter a mesma preocupação de encurtar a distância entre a elite e a pobreza. Assim o rico se torna mais rico e o pobre, cada vez mais pobre.
Também no aspecto histórico, ambos se destacam pelas posições diametralmente opostas. Enquanto o MDB, sigla antecessora do PMDB lutava pela conquista da democracia, durante o regime autoritário, o DEM, cujo nome anterior ao PDS e ao PFL era ARENA dava suporte à bota militarista que contrariava princípios republicanos, como a democracia e o Estado de Direito.
Abro esse parêntese, não para censurar os democratas que apoiam Gaguim, nem peemedebistas que apoiam Siqueira, mas para alertar que a debandada que se observa no PT e no PMDB em relação ao Senado, rumo ao senador João Ribeiro (PR), pode custar caro ao projeto político de Gaguim (PMDB), cuja coligação pode não eleger senadores, caso ocorra problemas com a candidatura de Marcelo.
Não há incoerência no apoio democrata a Siqueira. Até se justifica. Quando a ditadura aterrorizava os brasileiros, um dos parlamentares que respaldava o regime pela ARENA era o então deputado federal Siqueira Campos. Onde falta inclusive bom senso, é em petistas e peemedebistas.
Pela tradição de lutas libertárias do PT e do PMDB é contraditório o apoio a candidatos opositores, principalmente se confirmado que a tendência de 30% do eleitorado de João Ribeiro é votar em Siqueira. Estaria Gaguim caindo no conto do vigário narrado por “companheiros” do PMDB e PT?
A eleição não está ganha! Não é hora de aventuras! Os 17% de indecisos significam um universo de aproximadamente 160 mil eleitores, ainda confusos. Afinal, no Tocantins são mais de 980 mil eleitores. E aos candidatos desesperados por “oxigênio”, incluindo aqueles que, sem densidade eleitoral, teimam em carregar água no jacá, recomenda-se cautela, para não prejudicar a majoritária.
Para quem diz valorizar mais o SER do que o TER, embora este lhe faça falta, deve ter mais prudência ao buscar o “oxigênio” que necessita na reta final. Do contrário, não haverá “autenticidade” que justifique subterfúgios hipócritas. Não há autenticidade sem coerência.
É compreensível que nenhum candidato, queira nadar e morrer na praia por falta de “oxigênio”. Mas também ninguém precisa seguir à risca os arroubos do apaixonado Leonel Brizola, ao dizer que “pecado é perder a eleição”, para justificar alianças até com o “capeta”. Cuidado! O desespero pode descaracterizá-los! Em pessoas esclarecidas, atitudes semelhantes equivalem ao eleitor de cabresto, condicionado a raciocinar apenas fisiologicamente, pois em vez de usar o cérebro, pensa com o estômago.
Gilvan Nolêto é Jornalista, Perito, Pós-Graduado como Especialista em Polícia Comunitária, natural de Tocantinópolis.
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