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Sexta-feira, 03 de setembro de 2010, 08h37m

Incoerência não comunga com Ideologia

O jornalista Gilvan Nolêto articula neste artigo sobre a morte da ideologia político-partidária analisando a política tocantinense dos dias atuais. Confira!
 

A morte da ideologia político-partidária foi decretada sem assinatura de políticos ditos honestos. Tampouco dos básicos. Ela vinha definhando há algum tempo e depois de um velório sem lágrimas, foi sepultada no processo eleitoral de 2010. Suspeita-se de envolvimento do Interesse Pessoal. Essa é a impressão que fica quando se observam referências partidárias filiadas ao PMDB e o PT golpeando a ideologia que consagrou esses partidos.

Todo partido visa o poder. A diferença está no conteúdo programático. E pressupõe-se que esse programa seja um compromisso político social que envolva os interesses da nação. É pela identificação com ideais comuns que, em tese, um partido conquista a confiança de pessoas ou grupos. Mas sem essa ideologia, a coerência se esvai, descaracterizando a identidade político-partidária que se tenha.

O problema é que no vácuo da coerência surgem discursos dúbios e contraditórios, que confundem o eleitor e o torna indeciso. A última pesquisa IBOPE apontou 17% de indeciso. Não é para menos. Há muita referência partidária, candidato ou não, com duas velas acesas, a ponto de se queimar, se descaracterizando e tentando justificar o injustificável. Partidos não são iguais. Há diferença e eu peço licença para, respeitosamente, usar como exemplo, o PMDB e o DEM, ainda que incomode.

O PMDB prega a melhoria das condições sociais de vida, uma distribuição de renda mais justa e defende a dignidade cidadã, pela qual, cada um deve ser livre. O DEM, por ser um partido com categorias mais elitizadas, face ao padrão sócio-econômico mais elevado, pode não ter a mesma preocupação de encurtar a distância entre a elite e a pobreza. Assim o rico se torna mais rico e o pobre, cada vez mais pobre.

Também no aspecto histórico, ambos se destacam pelas posições diametralmente opostas. Enquanto o MDB, sigla antecessora do PMDB lutava pela conquista da democracia, durante o regime autoritário, o DEM, cujo nome anterior ao PDS e ao PFL era ARENA dava suporte à bota militarista que contrariava princípios republicanos, como a democracia e o Estado de Direito.

Abro esse parêntese, não para censurar os democratas que apoiam Gaguim, nem peemedebistas que apoiam Siqueira, mas para alertar que a debandada que se observa no PT e no PMDB em relação ao Senado, rumo ao senador João Ribeiro (PR), pode custar caro ao projeto político de Gaguim (PMDB), cuja coligação pode não eleger senadores, caso ocorra problemas com a candidatura de Marcelo.

Não há incoerência no apoio democrata a Siqueira. Até se justifica. Quando a ditadura aterrorizava os brasileiros, um dos parlamentares que respaldava o regime pela ARENA era o então deputado federal Siqueira Campos. Onde falta inclusive bom senso, é em petistas e peemedebistas.

Pela tradição de lutas libertárias do PT e do PMDB é contraditório o apoio a candidatos opositores, principalmente se confirmado que a tendência de 30% do eleitorado de João Ribeiro é votar em Siqueira. Estaria Gaguim caindo no conto do vigário narrado por “companheiros” do PMDB e PT?

A eleição não está ganha! Não é hora de aventuras! Os 17% de indecisos significam um universo de aproximadamente 160 mil eleitores, ainda confusos. Afinal, no Tocantins são mais de 980 mil eleitores. E aos candidatos desesperados por “oxigênio”, incluindo aqueles que, sem densidade eleitoral, teimam em carregar água no jacá, recomenda-se cautela, para não prejudicar a majoritária.

Para quem diz valorizar mais o SER do que o TER, embora este lhe faça falta, deve ter mais prudência ao buscar o “oxigênio” que necessita na reta final. Do contrário, não haverá “autenticidade” que justifique subterfúgios hipócritas. Não há autenticidade sem coerência.

É compreensível que nenhum candidato, queira nadar e morrer na praia por falta de “oxigênio”. Mas também ninguém precisa seguir à risca os arroubos do apaixonado Leonel Brizola, ao dizer que “pecado é perder a eleição”, para justificar alianças até com o “capeta”. Cuidado! O desespero pode descaracterizá-los! Em pessoas esclarecidas, atitudes semelhantes equivalem ao eleitor de cabresto, condicionado a raciocinar apenas fisiologicamente, pois em vez de usar o cérebro, pensa com o estômago.

 Gilvan Nolêto é Jornalista, Perito, Pós-Graduado como Especialista em Polícia Comunitária, natural de Tocantinópolis.

Gilvan Nolêto

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16 Comentário(s)

  • Levi | 15/09/2010 | 19:31
    Ideologia! nem de longe se fala mais, principalmente nessas eleições em que todos querem tirar uma casquinha. Todos estão querendo ficar perto do Melhor presidente que já conhecí (Lula) que não olhou cor partidária e trabalhou buscando a melhoria de vida dos brasileiros. Oxalá se todos os governantes e parlamentares buscassem trabalhar com seriedade, não precisaríamos ficar buscando ideologias, pois todos sendo valorizados e valorizando a quem dispensa seus melhores erviços a população, partidos, seria o de menos.O que inaceitável é a falta de ética com companheiros, principalmente quando o carroagem está em movimento. Isso não se faz e quem faz não merece credibilidade do eleitor, por ser falta de ética, caráter e responsabilidade perante seus correligionários.
  • marcos alexandre de souza | 10/09/2010 | 13:06
    Gostei da analise. Acredito que essa incoerência de pessoas de partidos de lutas como pmdb e pt, puxando votos a joão ribeiro, leva o sr siqueira junto, assim duvida em relação a 3 outubro. te cuida gaguim.Gilvam dá uma olhada na diferença de ideologia X ideário grande abraço
  • José Neiva Neto | 06/09/2010 | 01:43
    Confesso, é a primeira vez que vejo falar do Sr.Gilvam. Parabens Gilvam por abordar um tema tão importante e esquecido como esse, parabens. Pena que ao ler os comentários deparamos com o resultado da destruiçào que a ditadura nos proporcionou, ao criar um vácuo no debate político por mais de trinta anos, pario alguns comentaristas que não enchergam um palmo além de seus fucinhos. Ora atribuir ao SC o único detentor do mérito da cração do estado e o desenvolvimento dele, é um atestado de jeguice senm tamanho. O senhor Siqueira Campos é o retrato fiel da contra mão da democracia. Os seus métodos são de origens escravagista imperialista ditatoriais. Uma outra coisa abordada e que eu quero tentar ajudar a esclarecer ou para alguns, relembrar: Existia por lei(ditatorial) dois partidos a ARENA e O MDB. A ARENA era o partido dos golpistas, militares ou não, o MDB agregava todas as tendências contrarias à DITADURA. Com a queda do regime as diferentes tendências foram se formando em torno de novas siglas e restabelecendo antigas caladas pelo golpe. Sr. Siqueira Campos pasou por inúmeros partido e em todos ele se colocou acima de todos eles, ele tem que ser a figura, o cara, haja visto hoje ele abandonar a candidatura do Serra e pasmem... colocando a fotografia do Lula ao seu lado na TV, ao qual não mede elogios. Qual é a ideologia desse principal político do estado? principal não tem nada a ver com melhor, exemplar, honesto e por aí a fora.E a senadora que denuncia, escolacha, fala até em enchotar da política local e hoje está pedindo votos para os mesmos? ( Kátia abreu x Siqueiras). Quem pode entender um balaio de gatos como esse. O Siqueira Campos sempre, sempre mesmo lutou para destruir o PT no Tocantins pois foi o único partido junto com o PMDB que o combatia até surgir figuras como o Sr. MOISES NOGUEIRA AVELINO e Raul filho o primeiro no PMDB e o segundo no PT.O Tocantins infelismente é um estado também sem ideologia definida, ainda se segue a figura do manda-chuva.
  • João Rodrigues Soares Filho | 05/09/2010 | 08:46
    Parabéns!contudo gostei do artigo e ainda mais por você ser um dos nossos conterrâneo que soube expor o que o tocantinense quer saber.
  • FRANCISCO DIAS CARNEIRO (DIASSIS) | 05/09/2010 | 08:31
    parabéns Gilvan, fico orgulhoso de saber que alguém ainda se preocupa com os rumos que tomou a política no nosso estado. Fico mais orgulhoso ainda de conhecer você e saber que estás fazendo alguma coisa para alertar dessa incoerência que alastrou por toda parte do estado.
  • Autor | 04/09/2010 | 13:22
    Agradecido da participção e da defesa livre ou apaixonada de uns e de outros, acrescento ao comentário do amigo Gleyson, apenas que não é difícil identificar ideologia. Exemplo: na época que o MDB lutava pela democracia havia ideologia. Depois é que o partido ganhou um estereótipo parecido com um balaio e gatos com interesses pessoais distintos, na mesma agremiação. Daí, haja confusão na cabeça do eleitor. Os partidos perderam identidade e ganharam interesseiros.
  • Gleyson Ramos | 03/09/2010 | 21:57
    Muito bom texto caro amigo Gilvan, mas um pouco contraditório, haja vista, se os políticos não possuem uma identificação com a história dos partidos, as suas condutas se assemelham com a linha ideológica de cada agremiação partidária. Mensalão, é só o PT que tem? Não, tem no DEM também, não há como esteriotipizar, se é q existe esta palavra, não há como comparar os partidos de hj com os da época da ditadura.
  • Marcos | 03/09/2010 | 16:48
    Parabéns pelo assunto escolhido, mas o texto, tenho que concordar com o que disse Vitor, Adailton e alguns outros, não existe nenhuma ideologia partidária, as pessoas se encaixam nos partidos por ocasião, pode ser que ainda temos alguns políticos com ideologias próprias, que é o caso de Siqueira Campos, que tem uma história de luta por nosso Tocantins desde os tempos que eramos Goiás, um homem obstinado, cheio de ideais e que tem milhares de admiradores, não pelo que faz individualmente, mas pelo que fez pra todos nos, acredito muito que ele sim tem ideal e é por isso que voto em Siqueira.
  • ARISTIDES SAMBAIBA | 03/09/2010 | 15:52
    VOU VOTAR NO SIQUEIRA CAMPOS, MESMO SABENDO O GILVAN NOLETO E VAI VOTAR EM GAGUIM., MAIS SEU ARTIGO E BEM ELABORADO., ISSO É DEMOCRACIA, NÃO COMPRA DE APOIOS, ETC. O SIQUEIRA VAI GANHAR MESMO TA LEGAL
  • José Maria Brazão | 03/09/2010 | 15:23
    Á FALTA DE COERÊNCIA É SUA DIGA EU SUA PMDB ROXO O GILVAN ENGODO JORNALISTICO FALA SERIO. SIQUEIRA NELES "45".O SENADOR JOÃO RIBEIRO VIROU UM VERDADEIRO ASTRO POP EM TODO O TOCANTINS QUER ADERIR ENTÃO VEM.ELE É O CARA.
  • vitor | 03/09/2010 | 15:07
    Vou colocar o mesmo comentário que coloquei no Conexão TO: "Engraçado, se não me engano o principal partido que apoiava a Ditadura era o PDS e não o ARENA. Do PDS fazia parte o atual Presidente do Senado José Sarney, o qual hj é PMDB, este partido que o autor tanto defende, o qual só tem oportunistas, traidores e corruptos. Não se enganem com o texto PT como partido dos trabalhadores, este não existe mais, PMDB como partido de oposição a ditadura e defendendo a democracia, este deixou de existir logo depois do fim da ditatura. Assim votem na pessoa e não no partido, busquem quem é o melhor, por isso voto em SIQUEIRA CAMPOS, melhor governador que o Tocantins ja teve e com certeza será o melhor que ele terá por um longo tempo... Ele tem amor por esta terra, só ele, no momento, pode nos tirar deste atraso!!! Ahh sou jovem tenho 22 anos, porém acompanho, e estudo a política nacional..."
  • adailton | 03/09/2010 | 14:57
    Qual a ideologia do GAGUIM, que foi SIQUEIRA QUEM FEZ ?
  • Adalberto Dines | 03/09/2010 | 12:28
    Verdades incomodam! Mas você conseguiu que os incomodados silenciassem. Pelo menos até agora. Prossiga expondo sua ideias. Você sabe do que estou falando, amigo.
  • Adailton | 03/09/2010 | 11:53
    É muito importante essa discussão em torno do ideologismo político partidário, mas vamos recordar alguns candidatos: Raul Filho - já foi PSDB, PSB, PT e outros que não me lembro. Marcelo Miranda - já foi PMDB, DEM e voltou ao PMDB, Leomar, João Ribeiro, Siqueira, Gaguim, na verdade quase 100% dos que aí estão já foram integrantes de partidos com ideologias totalmente diferentes. Qual ideologia segue Siqueira ? Qual ideologia segue Gaguim ? Os dois já fizeram parte do mesmo grupo. A verdade é que o povo está descrente com a política justamente por não haver nenhuma coerencia ideológica entre os políticos e acaba que o povo também perde essa identidade. Já fui militante petista, briguei muito nas ruas defendendo uma bandeira ideologica do combate a desigualdade, mas acima de tudo da moral, da honestidade, do respeito, confesso estar decepcionado, não é esse o modelo de política que eu imaginava.
  • ARISTIDES SAMBAIBA | 03/09/2010 | 09:50
    GILVAN., MEUS PARABENS, NOS ULTIMOS TEMPOS NÃO TINHA LIDO NADA IGUAL, PARECIDO, IDENTICO AO SEU ARTIGO ACIMA., MEUS PARABENS SINCERAMENTE., ABRAÇOS. VALEU
  • PAULO | 03/09/2010 | 09:07
    ESQUECEUDE COLOCAR QUE É GAGUISTA NÉ.

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