Em meio a uma comitiva de vereadores, deputados, prefeitos e senadores que visitaram o carnaval de Gurupi, alguns veículos de comunicação aproveitaram a festa para se pautarem nas articulações em torno dos rumos que se dará as eleições em 2010.
Num cenário onde tudo que acontece é visto como uma peça no embaralhado quebra cabeça que se forma no jogo do vale tudo do poder, envolvendo vários caminhos como chapão, polarização entre dois grupos e até mesmo o lançamento de três candidaturas para provocar um segundo turno nas próximas eleições, o que não deu para entender foi a maneira que os seguranças do camarote montado na Avenida Goiás tratou alguns jornalistas e até mesmo figuras importantes da política tocantinense.
O estranho foi que, apesar destes profissionais estarem com uma credencial no peito e terem dois camarotes reservados, a ordem, segundo o chefe da segurança, era “filtrar” quem estava ou não trabalhando, por meio do velho “olhometro”. Para ele, o passaporte era quem estivesse com uma câmara digital na mão ou uma filmadora; papel este do fotógrafo ou cinegrafista. Enquanto isso foi barrando jornalistas que vieram de Palmas, jornalistas da região, etc, etc e etc.
Infelizmente, o que percebemos é que estes abusos patrocinados por alguns empresários sugerem o início da gestação de futuros milicianos, que hoje estão disfarçados de seguranças que atuam não só durante carnaval, mas também em muitos outros eventos públicos como feiras e exposições, festinhas particulares e até mesmo em comícios de políticos.
Como diz a música “ado-a-ado!”, cada uma tem que se manter em seu lugar: o jornalista no seu quadrado, segurança no seu quadrado, político em seu quadrado e empresários em seu quadrado; ou seja cada um tem que está no seu quadrado.
Já que falamos em profissão desvalorizada, teve também pergunta infeliz de jornalista. A pérola negra foi dirigida ao senador João Ribeiro (PR) quando um cidadão de um determinado veículo teve a coragem de perguntar como o senador se sentiu “ao tomar uma rasteira do governador Carlos Gaguim (PMDB)”. Diplomaticamente, o senador saiu pela tangente e disse que não há "rasteira" e que ele é o provável candidato, mas que “não está nada definido e quem indicará o candidato será o povo”.
Teve também cinegrafista buscando imagem para campanha, onde procurava um ângulo que não aparecesse o nome de político concorrente na avenida. Houve rumores de namoro (no sentido romance) entre um casal de deputados, sendo uma estadual e outro federal, que deverá ser anunciado nas colunas sociais. E para massagear o ego dos gurupienses muitos dos políticos que passaram a primeira noite em Palmas afirmavam que tiveram em Palmas, mas que o "carnaval de Gurupi é o melhor do Estado".
Mais coisas do carnaval...
Já que a festa é alegria, uma das partes cômica do carnaval que não foi noticiada aconteceu no dia da entrega das chaves da cidade para o rei momo e rainha. Foi quando um bêbado tomou a chave da cidade da mão do prefeito e entregou para o Rei Momo. Lá estava também o irreverente Chico da Velha, figura histórica do folclórico bloco “Os Pifados” com seu apito ensurdecedor. Teve folião dormindo em banheiro químico e vale tudo feminino, onde os marmanjos apanharam das mulheres e ficaram de saia justa numa mistura de engraçado e ridículo ao presenciar o combate de suas amantes com sua namorada, esposa, ou vice-versa, e, só parou às custas de chave de pescoço e pancada de cassetete da PM. Para a tristeza da cidade teve uma morte motivado por vingança envolvendo um menor. Essa todos noticiaram.
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