Há grandeza na derrota, quando além dos votos conquistados, o vencido decide manter o discurso, a prática positiva, o diálogo com todos os setores da sociedade. É preciso sempre para quem perde uma dose de humildade em avaliar, reconhecer e aprender com os erros. Transferir a responsabilidade para outros não ajuda nem a entender o que verdadeiramente aconteceu.
Conversando com amigos do grupo governista, deputados eleitos e militantes da Força do Povo, percebi que ficou neles um sentimento positivo em torno da figura do governador Carlos Gaguim como líder que emerge do processo eleitoral deste ano. Seu crescimento foi significativo, me disse ontem um deputado eleito, considerando que até o ano passado, ele era um deputado com votação limitada a regiões pontuais do Estado. Não deixa de ser verdade.
Se vai permanecer no cenário pelos próximos anos como esperança de modernidade, ou símbolo de realização, conseguindo voltar pela vontade popular a ocupar mandato eletivo vai depender em grande parte do que fizer neste final de governo. É que o espírito de conciliação não guia as ações dos que querem revanchismo nos dias finais de um governo eleito de forma indireta, a quem cairia melhor a gratidão do que qualquer outro sentimento. Daltônicos que são na política, muitos dos que cercam e aconselham o governador, insistem em dividir pessoas e grupos em apenas em preto e branco, a favor ou contrário, como se o mundo não tivesse outras cores.
Outro momento, outros líderes para o PMDB
O fato é que o PMDB é grande e bem maior que Gaguim. Do resultado das urnas emergiu por exemplo, Júnior Coimbra, presidente da Assembléia Legislativa, deputado federal mais votado destas eleições, próximo dos 70 mil votos. Vice-presidente do PMDB, terá condições caso se articule para isto, de assumir o comando do partido e o protagonismo da cena política como líder de oposição. Ainda mais que Osvaldo Reis, presidente até aqui perdeu além do mandato, o prestígio e a confiança de seus pares para manter-se à frente da sigla.
Historicamente o presidente do PMDB é um deputado federal. Facilita o trâmite das coisas em Brasília. Caso o cenário seja de vitória de Dilma e Temmer no segundo turno, Coimbra será naturalmente o condutor do processo de reconstrução e fortalecimento do partido no Tocantins, visto que é o único federal do partido,além de “sangue novo” na Câmara Federal.
Marcelo Miranda: simpático e popular
Outro líder inconteste do PMDB é Marcelo Miranda, senador eleito praticamente sem grandes investimentos, consagrado nas urnas pelo que restou do seu apelo popular, após sofrer todas as conseqüências pessoais e políticas de um processo de cassação de mandato. Talvez esteja no comportamento assumido por Marcelo após tudo que viveu, alguns indicativos para os três meses finais de Carlos Gaguim.
Diz o ditado que “rei morto é rei posto”, mas quem foi rei efetivamente, diz outro adágio popular “nunca perde a majestade”. Neste caso, a majestade a que me refiro não é a pompa e nem a glória passageira que os cargos dão, mas a grandeza que deve ter quem é agraciado na vida profissional ou política pelo reconhecimento popular. Mesmo eleito por 22 deputados, Gaguim terminará o mandato como o governador que buscou a reeleição e teve 34 mil 429 votos.
Sua biografia, em que pese o que ainda terá que responder por ações deste pouco mais de um ano à frente de governo que venham a ser questionadas pelo Tribunal de Contas, ou outros tribunais, pode ser escrita nos meses finais de governo da maneira que ele quiser. Ou que sua brilhante e preparada assessoria permitir.
Terminada a campanha, há mais de dez dias, o movimento político já recomeçou. Na reconstrução do PMDB, e articulação de uma oposição séria, responsável e serena será traçado o futuro de muitos dos líderes que esta eleição, de um lado e de outro, consagrou.
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