A proximidade das convenções, num período pré-eleitoral por definição, deveria ser o momento reservado ao debate nos partidos em torno de nomes e projetos. Mas o que se vê no Tocantins nas últimas semanas é a antecipação da discussão eleitoral onde os discursos seguem um caminho perigoso que, no meu entender, pode levar o eleitor tocantinense a um descrédito ainda maior na classe política.
Ao invés de começar a construir um discurso positivo, onde se discuta o Estado, seus caminhos para o desenvolvimento fora do “blá blá blá” repetitivo da pregação de grandes obras, que já cansou, partidos e pré-candidatos têm se engalfinhado num vale tudo muito destrutivo.
Ao tentar desconstruir, uns a imagem dos outros, juntando todos na vala comum dos corruptos, incompetentes e mal intencionados, os artífices do desastre não percebem que estão atingindo a alma do eleitor. Criam com isso a desesperança, a sensação de que todos são iguais, e de que nada vai mudar.
O Tocantins que nós queremos
Eu explico: queremos todos viver num mundo melhor, que seja mais feliz na prática. Um lugar onde ao adoecer, exista acesso ao atendimento médico hospitalar. Onde ao mandar as crianças e adolescentes para a escola, os pais, avós, ou responsáveis tenham a segurança de que não estão mandando seus filhos para um aprendizado do crime, do uso de drogas, da antecipação da vida sexual, com resultados terríveis e de alto impacto social.
Chamo a atenção para este tema nesta sexta-feira, por que tenho visto as pré-campanhas caminharem para se tornar em breve num completo festival de baixarias. Estas, que o eleitor está cansado de ver, como um filme de mau gosto que se repete de dois em dois anos.
Em período eleitoral todos se atacam com o furor de inimigos eternos. Não faltam acusações de superfaturamento, sobrepreço, comissão de empresa para político, fraude em licitação, uso da máquina, perseguição a funcionários e um extenso rol de bandalheiras. A se acreditar piamente num lado ou em outro, chega-se rápido à conclusão de que ninguém presta, e de que ninguém está apto a governar o Estado. Só um anjo de candura baixado dos céus sem nenhuma acusação nas costas, nenhum erro cometido, e com um batalhão de santos prontos a ajudá-lo.
E na prática, vão fazer o quê?
O que o eleitor quer saber é na prática, o que vai mudar na sua vida com a eleição deste ou daquele grupo. O que muda na sua rua, no posto de saúde mais próximo, na hora em que ele precisar da polícia, ou na oferta de emprego. Envolver o eleitorado num festival de acusações e baixarias com o objetivo único de dizer que o outro candidato não serve, é tecla batida de sucessivas campanhas. Não convence mais.
Qual a capacidade que cada grupo tem de realizar? O que todos nós, coletividade, vamos ganhar com este ou aquele governante? A escandalosa oferta de benefícios pessoais para prefeitos, vereadores, lideranças comprarem suas fazendas, trocar de carro e encher terra de gado, é afrontosa ao eleitor comum. Este, quanto mais pobre e desprovido das condições mínimas de viver com dignidade, mas exposto e frágil se encontra para vender, trocar, ou negociar seu voto, à custa de migalhas.
O que é preciso à classe política perceber é que entre um e outro, no meio da “liderança” e do eleitor reduzido à miséria social, existe uma imensa malha de estudantes, trabalhadores autônomos, servidores públicos, gente do comércio, donas de casa, professores. Um exército pensante e crítico, com influência no seu meio e que quer mais do que promessas absurdas, ataques sem sentido, ou shows de falsa indignação e teatralidade.
Sim, por que na eleição seguinte, tudo mudou, e os adversários ferrenhos de outros dias, caminham lado a lado, falando dos outros. Resumindo, na roda de interesses e vaidades, vale tudo contra o adversário, e o inimigo mortal de hoje, pode ser o aliado cheio de qualidades de amanhã.
Mas para nós, simples mortais, o que importa é o que muda de verdade nas nossas vidas. Quem será capaz de promover estas mudanças com um pouco de dignidade? É esta a pergunta que não quer calar e que suas excelências, os candidatos, terão pouco mais de três meses pela frente para responder.
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