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Minha Opinião

Sexta-feira, 18 de junho de 2010, 09h38m

Eleitor quer discurso positivo e menos baixaria

Refletindo sobre os fatos que vem pautando o noticiário nesta pré-campanha nas últimas semanas não é difícil perceber a tendência já demonstrada pelos principais personagens desta disputa de entrar num verdadeiro "vale tudo" em busca do voto. Demonizar o adversário, santificar suas próprias intenções, encher a justiça eleitoral de processos, e a imprensa de denúncias pode não ser o melhor caminho para vencer as eleições...
Roberta Tum 
Divulgação Eleitor quer discurso positivo e menos baixaria
Eleitor quer discurso positivo e menos baixaria

A proximidade das convenções, num período pré-eleitoral por definição, deveria ser o momento reservado ao debate nos partidos em torno de nomes e projetos. Mas o que se vê no Tocantins nas últimas semanas é a antecipação da discussão eleitoral onde os discursos seguem um caminho perigoso que, no meu entender, pode levar o eleitor tocantinense a um descrédito ainda maior na classe política.

Ao invés de começar a construir um discurso positivo, onde se discuta o Estado, seus caminhos para o desenvolvimento fora do “blá blá blá” repetitivo da pregação de grandes obras, que já cansou, partidos e pré-candidatos têm se engalfinhado num vale tudo muito destrutivo.

Ao tentar desconstruir, uns a imagem dos outros, juntando todos na vala comum dos corruptos, incompetentes e mal intencionados, os artífices do desastre não percebem que estão atingindo a alma do eleitor. Criam com isso a desesperança, a sensação de que todos são iguais, e de que nada vai mudar.

O Tocantins que nós queremos

Eu explico: queremos todos viver num mundo melhor, que seja mais feliz na prática. Um lugar onde ao adoecer, exista acesso ao atendimento médico hospitalar. Onde ao mandar as crianças e adolescentes para a escola, os pais, avós, ou responsáveis tenham a segurança de que não estão mandando seus filhos para um aprendizado do crime, do uso de drogas, da antecipação da vida sexual, com resultados terríveis e de alto impacto social.

Chamo a atenção para este tema nesta sexta-feira, por que tenho visto as pré-campanhas caminharem para se tornar em breve num completo festival de baixarias. Estas, que o eleitor está cansado de ver, como um filme de mau gosto que se repete de dois em dois anos.

Em período eleitoral todos se atacam com o furor de inimigos eternos. Não faltam acusações de superfaturamento, sobrepreço, comissão de empresa para político, fraude em licitação, uso da máquina, perseguição a funcionários e um extenso rol de bandalheiras. A se acreditar piamente num lado ou em outro, chega-se rápido à conclusão de que ninguém presta, e de que ninguém está apto a governar o Estado. Só um anjo de candura baixado dos céus sem nenhuma acusação nas costas, nenhum erro cometido, e com um batalhão de santos prontos a ajudá-lo.

E na prática, vão fazer o quê?

O que o eleitor quer saber é na prática, o que vai mudar na sua vida com a eleição deste ou daquele grupo. O que muda na sua rua, no posto de saúde mais próximo, na hora em que ele precisar da polícia, ou na oferta de emprego. Envolver o eleitorado num festival de acusações e baixarias com o objetivo único de dizer que o outro candidato não serve, é tecla batida de sucessivas campanhas. Não convence mais.

Qual a capacidade que cada grupo tem de realizar? O que todos nós, coletividade, vamos ganhar com este ou aquele governante? A escandalosa oferta de benefícios pessoais para prefeitos, vereadores, lideranças comprarem suas fazendas, trocar de carro e encher terra de gado, é afrontosa ao eleitor comum. Este, quanto mais pobre e desprovido das condições mínimas de viver com dignidade, mas exposto e frágil se encontra para vender, trocar, ou negociar seu voto, à custa de migalhas.

O que é preciso à classe política perceber é que entre um e outro, no meio da “liderança” e do eleitor reduzido à miséria social, existe uma imensa malha de estudantes, trabalhadores autônomos, servidores públicos, gente do comércio, donas de casa, professores. Um exército pensante e crítico, com influência no seu meio e que quer mais do que promessas absurdas, ataques sem sentido, ou shows de falsa indignação e teatralidade.

Sim, por que na eleição seguinte, tudo mudou, e os adversários ferrenhos de outros dias, caminham lado a lado, falando dos outros. Resumindo, na roda de interesses e vaidades, vale tudo contra o adversário, e o inimigo mortal de hoje, pode ser o aliado cheio de qualidades de amanhã.

Mas para nós, simples mortais, o que importa é o que muda de verdade nas nossas vidas. Quem será capaz de promover estas mudanças com um pouco de dignidade? É esta a pergunta que não quer calar e que suas excelências, os candidatos, terão pouco mais de três meses pela frente para responder.

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10 Comentário(s)

  • Edson Cabral | 21/06/2010 | 08:36
    Parabéns Roberta. Precisamos reconstruir o papel da política no nosso Estado. Para que o Tocantins alcance o espaço que lhe é destinado no futuro do nosso País, é necessário uma revolução no nosso quadro político. Um projeto de desenvolvimento seguro e sustentável é construído por idéias e não acusações.
  • lucas gomes da silva | 20/06/2010 | 23:15
    espero que o povo do tocantins esteja preparado pa as eleições que vem,tendo em vista que hoje nós do estado ~estamos democratas sem ditaduras,apesar de ter:TJ,TRE e TCE todos devendo favor para o canidato do PSDB e a senadora namorando um JUIZ corre o rico de todos fazer a vontade do siqueira campos.
  • Robson Borges | 19/06/2010 | 18:52
    Roberta parabéns, o eleitor não sabe votar, vota por troca de favores, depois reclama, ai é tarde tem que aguardar 4 anos. o leitor precisa cai na real e usar melhor a arma que tem não é mesmo?. visito seu site todos os dias um abraço.
  • Robson Borges | 19/06/2010 | 18:43
    lei organiza o país, parabéns. agora o Tocantins perde um grande momento. Marcelo Miranda seria um dos melhores nomes hoje no cenario tocantinense.
  • Ricardo Barelli | 19/06/2010 | 10:55
    Lucas, O eleitor já está vacinado contra o tipo que Palito vem fazendo.. Só falar mal, sem ter argumentos não trás convencimento. UT ainda é a melhor opção para o TO.
  • Vinicius | 18/06/2010 | 22:40
    Parabéns pela matéria. Gostaria de ver também neste site esclarecimentos sobre compra de votos e a relação dos fichas limpas do nosso Estado. Ao que parece podem ser em quantidades menores do que os fichas coisadas (não tenho imunidade, por este motivo não posso falar o modelo da ficha).
  • Jonny | 18/06/2010 | 15:02
    Fora então Jr Coimbra, Palito, Stalin, Paulo Roberto, de cara a gente se lembra desses demagodos, falastrão e sem projetos....
  • André | 18/06/2010 | 14:22
    Os limites das ofensas foram rompidos e se estenderam à população. Já não bastava ver, ouvir as trocas de gentilezas dos opositores, agora estamos tendo que aguentar as ingerências nos mais diversos órgãos, que acabam agindo em detrimento dos anseios da população. O que dizer do TJ-TO no caso do concurso do Quadro Geral? Postura escandalosa e tendenciosa, personalística, de favorecimento a determinado grupo. Resultado? 104.000 candidatos revoltados, irados, que viram de perto os desvaneios do TJ. Podem acreditar, isso não passou despercebido. Terá um resultado em outubro. O que dizer dos comissionados? Pessoas que não encontram oportunidades de empegro no estado, acabam por virar cabos eleitorais no governo. Resultado? STF cassando os cargos, dando um prazo para o Estado se adequar e todos os comissionados perdendo seus "empregos". Passou despercebido? Claro que não. Principalmente quando um dos advogados disse que "no Tocantins, um irresponsável sucede o outro". Frase mais cabível neste momento no Estado. Ou então nas chicotados que os Srs. Ministros deram nos governantes daqui, dizendo que "tem que parar de fazer remendos na Constituição". Vamos valorizar nosso voto, e agir com inteligência ao escolher os nossos representantes. Apesar de neste ano não estarmos bem servidos de opções.
  • Akiles colheita | 18/06/2010 | 13:32
    O candato que só ataca seus concorrêntes, e não apresenta projeto ele é incompetente..
  • Lucas | 18/06/2010 | 12:10
    Para começar pelo palito né? que não sabe fazer outra coisa a não ser atacar a UT, parabéns Roberta, muito bom!

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