O Tocantins viveu sua eleição mais tensa, mais disputada, nas últimas 72 horas em todo o Estado. As cenas de confronto entre as duas militâncias de forças tão equilibradas, foram freqüentes no interior, e dramáticas na capital, onde a avenida Palmas Brasil se transformou num cenário de toda sorte de excessos.
Todas as lições que esta eleição deixou carecem de vários artigos para serem decifradas. Hoje, segunda-feira, 4 os partidos da Tocantins Levado a Sério acordam fazendo a conta do espaço ganho, e com o sentimento de que valeu a pena a soma de todos os esforços para retomar o poder. De outro lado, os partidos da Força do Povo também fazem seu balanço, e devem no meu entendimento, mais que atribuir a derrota ao resultado final de pesquisas, fazer a análise dos erros. Em eleição, já disse e repito: ganha quem erra menos.
Kátia Abreu ajuda a definir e sai fortalecida
Uma das vencedoras desta eleição, ao lado do governador eleito Siqueira Campos, é sem dúvida a senadora Kátia Abreu(DEM). Ela, que poderia ter disputado o governo, fez a diferença juntando forças a Siqueira já no final do ano passado. Com o gesto, garantiu a indicação do vice-governador eleito, deputado João Oliveira(DEM).
No jogo de forças, a senadora percebeu que poderia ser sabotada e ter novamente o partido esvaziado, e redobrou esforços para cumprir o compromisso com a nacional do DEM. Urnas abertas, das três vagas da TLS, duas são do Democratas: professora Dorinha, da bancada da Educação,e Irajá Abreu, representando os ruralistas. Na Assembléia manteve as duas cadeiras.
João Ribeiro dá aula na arte de agregar
O senador João Ribeiro (PR) também representa um dos importantes fatores que contribuíram para a vitória de Siqueira Campos. Na Assembléia Legislativa elegeu bancada de quatro pelo PR, mas os deputados ligados a ele são em bem maior número. Alijado da disputa ao governo no grupo de Gaguim, retornou para fortalecer Siqueira e se fortalecer, terminando consagrado com a maior de todas as votações ao Senado.
De olho no futuro, João Ribeiro sem dúvida também se fortaleceu. Do ex-senador Eduardo Siqueira Campos (PSDB), ouvi nos últimos dias que ele não tem qualquer pretensão de sair ao governo numa futura sucessão de seu pai. “Pra frente, a bola está com a Kátia e o João. Só é preciso que eles se entendam”, me disse ele.
Antes do futuro chegar, o presente reclama urgência
Terminada a apuração e confirmada a vitória de Siqueira Campos, começa a preocupação em fazer um bom governo. A expectativa de cuidado e atenção com o social é muito grande. Este foi o principal mote da campanha da Tocantins Levado a Sério. Siqueira se comprometeu com duas bandeiras importantes e urgentes: saúde e segurança. Melhorar a qualidade do atendimento à saúde nas regiões do Estado e dar combate ao avanço do tráfico e consumo de drogas devem ocupar a pauta do novo governo.
É preciso dizer que não se trata só disto. As demandas que o Tocantins apresenta a esta altura de sua história, às vésperas de completar 22 anos de criação são diversas e maiores. Para fazer o grande governo que pretende e anuncia Siqueira já deve estar começando hoje a costurar todas as forças políticas de que precisa. A pequena margem de frente não diminui a vitória “maiúscula”, como ele gosta de dizer, sobre tudo que foi jogado contra a ascensão popular de sua campanha nos últimos dias. Mas por outro lado, é preciso conciliar para governar um estado dividido.
Além da ressaca que se abateu sobre vencedores e derrotados nesta segunda-feira pós eleição é preciso constatar a verdade inegável: o Tocantins escolheu Siqueira de novo. Um retorno oito anos depois, pela vontade do povo.
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