Quem é candidato a qualquer cargo eletivo sabe que não anda fácil sair por aí pedindo voto. Tem que ter coragem para abordar as pessoas em suas casas, no trabalho, na rua. A verdade é que o eleitor se enche de razão em época de campanha, para esculhambar os candidatos. É que o sentimento de traição da confiança é uma coisa muito forte e presente na fala de boa parte do eleitorado.
Salta aos olhos de quem lê pesquisa, independente do seu resultado, o percentual de indecisos, que continua grande. Fosse liberado da obrigação de votar, muito eleitor sequer sairia de casa no dia 3 de outubro. Isso acontece por que o jogo que envolve a busca por um mandato se transformou numa troca escabrosa de benefícios, falsas promessas e ilusões, com raras e pontuais exceções.
Sem desculpa para vender voto
Entrevistando o presidente da OAB, Ercílio Bezerra dia destes no programa “Na Ponta da Língua”, ele retirou dos ombros do eleitor, a desculpa da pobreza para aceitar a oferta de dinheiro, material de construção, comida, ou qualquer coisa em troca do voto. “Se a gente aceitar esta lógica temos que aceitar que o pobre assalte à mão armada para matar a fome, invada supermercados, e por aí vai”, disse o presidente.
Mas o jogo tem sido este. Ignorado pela maioria da classe política, o eleitor mediano, comum, “pobre e lascado”, no bom português, abre mão da condição de cidadão para assumir o papel de cobrador de vantagens pessoais do político. Não é raro ouvir nas ruas o seguinte argumento: “pelo menos nessa época a gente tem que arrancar alguma coisa dos políticos”.
A desesperança é perigosa companheira
Falo disso para constatar o óbvio: a desesperança que tomou conta dos brasileiros, e do tocantinense, que está mais perto, em especial. Para mim os indecisos que prevalecem a cada pesquisa que se faz representam um universo interessante: não são governo, caso contrário estariam declarando este apoio.
Eles não são obrigatoriamente oposição, uma vez que também estariam definidos. São observadores, expectadores do processo, possivelmente mais críticos, ou no mínimo, desesperançados, descrentes de que uma das duas candidaturas os represente.
O senso comum de que todo mundo é corrupto, de que todo mundo rouba, ou de que “todo mundo tem um preço”, na minha opinião, vem comprometendo muito o processo eleitoral no Tocantins. A sequência de denúncias de corrupção caem sobre o eleitor como uma avalanche, a reforçar mais ainda a idéia de que, no final, “ninguém presta”. Não concordo, não acredito que seja assim.
Denuncismo desgasta e atrapalha
É por isso que diante de tudo que tenho ouvido na cobertura diária dos fatos da política - que inclui cobrir muitas acusações e denúncias – faço aqui um alerta. É preciso coragem para denunciar o que está errado, mas é necessário também responsabilidade. Esse turbilhão de acusações, mesmo que ao final não sejam provadas, lança uma onda de descrédito sobre toda a classe política e afasta ainda mais o eleitor do processo eleitoral, provocando alheamento, desinteresse, desesperança.
Prefiro acreditar na existência de pessoas sérias neste processo, preocupadas com o que será o futuro do Tocantins nos próximos anos, interessadas em encontrar saídas, e promover o desenvolvimento. Gente que honre o voto destes milhares de sofridos trabalhadores, ou sub empregados, que vivem a vida com tão pouco, e ainda mantém a honestidade. Vamos cuidar de manter neles também a esperança, essa chama que alimenta a alma dos homens. Sem ela muito da convivência civilizada e pacífica da nossa sociedade estará comprometida.
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