Antes de mais nada, é bom deixar claro: a culpa não é da imprensa se candidatos a deputado estadual (Iderval Silva e Eli Borges), federal (Darci Coelho), prefeitos (Raul Filho) e lideranças expressivas que caminham na Força do Povo pela eleição de Carlos Gaguim (PMDB) estão esvaziando a candidatura a senador de Paulo Mourão (PT). A responsabilidade pelos fatos ocorridos desde a turbulenta guinada do PT rumo ao PMDB, pós convenção, é dos protagonistas desta história, e não nossa.
Dito isso, vamos aos fatos: a crise em torno da candidatura do segundo nome da coligação Força do Povo é grande, e parece ter ultrapassado a capacidade de ser contornada pelo governador Carlos Gaguim (PMDB). Não estou com isto dizendo que ele quer contornar, ou que não quer. Apenas analiso que quando as pessoas procuram a imprensa e colocam no ar, nos jornais e nos discursos que não querem apoiar alguém, fica difícil fazer o caminho de volta. Mesmo a pedido.
Os fatos que levaram ao desgaste
A primeira explicação para o desgaste de Mourão, ouvi de um petista do primeiro time da capital. Sujeito calmo, ponderado, ele me confidenciou em off após uma entrevista: “O pessoal tava animado, veio para a convenção, e tava disposto a ir até o fim com a candidatura do PT ao governo. Aí muda tudo, sem envolver a militância. A turma desanimou. Agora o que se diz é: tudo bem, vamos votar, mas vamos ficar em casa”.
Se este realmente for o espírito que estiver prevalecendo na militância do PT, está explicada a falta de envolvimento. Mas o descrédito não termina por aí. Feito o acordo que colocou Mourão na chapa na vaga do Senado, feriu-se de morte o PT da capital que tem na sua estrela mais forte o prefeito Raul, e com ele Solange, Milton Néris, Ivory, Bismarque, Mauro Mota e mais aliados como Wanderley Barbosa, José do Lago Folha Filho, e outros.
Palavras ao vento, ficaram gravadas
No PMDB as lideranças fizeram “ouvidos moucos” ao palavrório despejado por Paulo nos bastidores contra Gaguim, e estampado nas manchetes quando Vicente Alves (PR) deu publicidade ao encontro e contatos de véspera do acordo do PT com o PMDB. Gaguim por sua vez, já tinha feito o casamento e não fez questão das palavras “ao vento”.
Começada a campanha o candidato ao Senado não cultivou a boa relação com os proporcionais, não procurou quase ninguém, e principalmente: não ajudou ninguém. Sem a dobradinha buscada pelo Senador, os deputados foram falar com quem entende do metié e se acertaram de novo com João Ribeiro (PR).
De um prefeito ouvi o resumo desta história: “Aqui no Tocantins a gente é pragmático. Quem ajuda os prefeitos? O governador e o senador. Então a gente vai de Gaguim e de João”. Isso considerando que no PMDB não há resistências a Marcelo, que tem a preferência popular, enquanto conseguir manter seu registro.
O problema é o que será desta chapa de senado caso a casa literalmente caia esta semana em Brasília. Recurso cabe ao STF e há chances de que no final Marcelo consiga permanecer na disputa. Até lá, no entanto, a incerteza é sua maior inimiga e ela pode solapar os votos que o eleitor já demonstrou intenção em lhe dar. Se isso acontecer, não duvidem, vai crescer o vácuo que já se avizinha na chapa vermelha ao Senado.
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