Acompanho campanhas de dois em dois anos no Tocantins desde 1992, primeira de prefeito que vivi na capital. Em todas elas participei das famosas caminhadas. E como elas mudaram com o tempo! É compreensível. Palmas cresceu, as campanhas evoluíram nos meios de comunicação, e a necessidade de produzir imagens fortes, impactantes, para os jornais, internet e principalemnte para a tevisão aumentou.
Por isso, pelo menos na capital e nas maiores cidades do Estado, foi decretada a extinção da boa e velha caminhada de antigamente. Aquela em que o candidato andava na frente e a militância esperava na porta para não “invadir” literalmente lojas e casas. Aquela que o candidato pegava na mão do eleitor e pedia o voto.
Ninguém duvida que ela é mais difícil, desgastante sob o ponto de vista físico e emocional - afinal nem todo eleitor recebe bem os candidatos – mas muito, muito mais produtiva que os atuais “arrastões”.
Eleitor de longe, só olha
Nas caminhadas/arrastões de hoje em dia, a claque dos candidatos toma conta das ruas. Eles vêm com as bandeiras - já que as camisetas com nomes estão proibidas –e as cores: Marcelo Lélis e verde já são sinônimos. Quem tem claque maior se destaca, com os nomes expostos nos pirulitos, ou nas próprias bandeirolas.
Hoje, como em outros dias, em outras caminhadas, com o governador e candidato à reeleição, vi eleitores olhando de longe. É difícil se aproximar dos candidatos. É quase impossível tocá-los. Pelo menos nas mega caminhadas que se vê em Palmas, e nas maiores cidades do Estado. Caminhada como antigamente só no interior. Será que isso é bom?
Sei que as imagens, terrestres e aéreas das caminhadas de hoje em dia impressionam. Nas conversas de padaria, na mesa do bar, no salão de beleza, os adeptos de cada candidato discutem entre si: “Você viu quanta gente tinha com o Siqueira?”, e o outro responde: “ah, mas tinha mais com o Gaguim”. E por aí vai embora a discussão. Ninguém consegue ter razão por que os números divulgados pela PM estão a cada dia mais inacreditáveis.
Não sei não, independente da quantidade que cada candidato reúna para caminhar em torno de si, não vejo grande vantagem nisso. Vale a imagem, vale a impressão que causa, mas caminhada como as de hoje em dia, não vale voto não.
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