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Sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009, 13h24m

Cavalcante começa mandato batendo duro na saúde

 
Roberta Tum

Quando foi eleito como um dos dois vereadores da União do Tocantins em outubro passado, Aurismar Cavalcante(PP), 38 anos, acreano de nascimento e tocantinense por oção desde 1998, era pouco conhecido pela imprensa. Com menos de 45 dias na Câmara Municipal, Cavalcante protagonizou cenas de destaque no parlamento municipal. A primeira foi chegar na frente e garantir a vice-presidência da Casa, embora seja único representante do seu partido. Para isso, somou seu voto ao do bloco do prefeito.

Nas conturbadas negociações para definir os presidentes de comissão transitou entre os dois blocos, e terminou fechando com a oposição,e garantindo a presidência da comissão que trata justamente dos temas relativos à sua maior bandeira: a saúde. Na primeira semana de sessões, Cavalcante marcou posição ao fazer o discurso mais duro da abertura solene do ano parlamentar, e ao levantar a polêmica em torno da falta de medicamentos nos postos de saúde da Capital. Confira abaixo a entrevista com o vereador:

Vereador, o senhor começou o mandato trazendo questionamentos sobre a saúde no município. Este será seu maior foco?

Cavalcante - É minha bandeira maior: a saúde. Também tenho a intenção de lutar para baixar a carga tributária. Não só para a classe baixa, mas também para a classe média. Hoje a coisa tá de um jeito que daqui a pouco o sujeito vai parar de estudar, de se formar, por que só tem direito de ter algum benefício quem é pobre.

Mas quanto à carga tributária é matéria sobre a qual só o executivo tem a iniciativa de legislar...

Cavalcante - O executivo pode propor a alteração de leis, mas nós vereadores podemos reivindicar. Tem muita coisa que nós vereadores podemos fazer. Debater, mobilizar a comunidade, e se nada disso adiantar, temos as vias judiciais. Quer um exemplo: toda hora a gente escuta que tem uma empresa vindo para Palmas. Vai lá no distrito industrial, fábrica mesmo só tem uma olaria. O resto é escritório. Isso tem que mudar.

Voltando à saúde, o que o senhor espera conseguir batendo neste assunto no parlamento?

Cavalcante - Mudar a situação da saúde no município. O meu mandato inteiro vai ser pautado nisso. Eu vou bater na questão da saúde até que mude. Não só pedindo que haja médico e medicamentos e que o posto de saúde esteja estruturado, mas também focando no aspecto do profissional que trabalha. Em Maceió por exemplo, um agente de saúde ganha quase R$ 2 mil. Eu defendo a isonomia salarial. Não é por que você fez um curso superior diferente do meu que tem que ganhar menos.

O senhor também criticou as  estruturas físicas das unidades de saúde...

Cavalcante -  Sim, outra coisa importante é as condições de trabalho que estes profissionais atuam.Se a Vigilância Sanitária for visitar estes postos vai fechar quase todos. É muito fácil o secretário de saúde com todos os privilégios que tem ir na televisão dizer que sexta-feira vai ter remédio nos postos. Pois eu vou voltar amanhã (hoje, 13/02) aos postos para ver se o remédio chegou. Hoje mesmo (quinta-feira, 12) foi dada entrada em duas ações por parte dos sindicatos do servidor e de enfermagem pedindo que a prefeitura cumpra o Plano de Cargos e Salários. O município não cumpre nem o que ele mesmo aprovou.

O senhor acredita que fazendo esta atuação conseguirá mudar as condições da saúde no município?

Cavalcante - Eu faço a minha parte. Estou aqui para falar o que o povo quer e não tem voz. Vou trabalhar incansavelmente para isso. Acho que a Câmara pode conquistar muito em favor da população. Basta os vereadores se preocuparem com a melhoria da qualidade de vida do povo, e não em defender cegamente o prefeito.

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