Antes de começar o artigo de hoje é preciso dizer que respeito todos os profissionais de imprensa que trabalharam em assessorias políticas e todos os veículos com suas linhas editoriais. Estou no Tocantins há tempo suficiente para entender que governos passam, os cargos passam, mas jornalistas e veículos permanecem, sofrendo mais ou menos as implicações de sua linha editorial em confronto com a política de comunicação adotada por cada governo.
Não posso falar pelos outros, por isso este artigo só tem a ver com o nosso veículo de comunicação, nosso comportamento durante as últimas eleições e os cacos quebrados que sobraram de uma relação institucional com o governo que terminará seu mandato em 31 de dezembro próximo.
No Tocantins, historicamente, os veículos têm que pedir licença ao governo para existirem. Isto é fruto de um mercado privado incipiente. Uma vez que os veículos consigam com muito esfoço se colocar no mercado, precisam andar com um pires numa mão e a caneta na outra. Da subserviência de sua linha editorial, do seu cuidado em não ferir os interesses de quem está no governo tem dependido ao longo dos últimos anos, a inserção de anúncios em sua grade (no caso das TV"s e rádio), em suas páginas (no caso dos impressos) e em sua home page no caso dos veículos de internet.
O duro, difícil e que se torna quase uma missão impossível em tempos de crise política, é fazer jornalismo de interesse público, de leitura agradável, instigante e sintonizado com o que acontece na rua sem desagradar os maiores pagadores de anúncios. As coisas vão bem até haver um conflito de interesses entre o público (interesse do leitor) com o privado (interesse de quem está à frente de um cargo público, que trata como seu, embora não lhe pertença).
As lições de um grande baiano
O falecido senador Antonio Carlos Magalhães fez história na Bahia e no Brasil com seu jeito intempestivo, mas habilidoso, de transitar entre o poder do povo e o poder dos governos militares instalados no país desde o golpe de 68 até a abertura política na década de 80. Amado pelos mais pobres e odiado pelos adversários que lhe cunharam o célebre apelido de "Toninho Malvadeza", ele rezava pela mesma cartilha do presidente Getúlio Vargas que imortalizou a frase: "aos amigos tudo, aos inimigos, os rigores da lei".
Mas do alto da sabedoria que adquiriu ao lidar com pessoas durante toda a vida, Magalhães explicou em uma das últimas entrevistas extensas que deu antes de morrer o cuidado que o político deve ter em saber diferenciar as pessoas que o cercam, e o que elas esperam dele. O falecido senador alertava: "há os que querem dinheiro para seguí-lo, há os que querem prestígio (ser valorizados e bem tratados) e há os que precisam acreditar naquilo que você está defendendo. Confunda os três e todo o apoio que se espera estará perdido".
Uma escolha editorial, e o crescimento advindo dela
Desde que me desliguei de emprego público para me dedicar exclusivamente a este veículo de comunicação fiz uma opção por exercitar uma linha editorial equilibrada que permitisse sem preconceito, espaço a todas as correntes políticas existentes no Estado. A lógica é simples: se todos estão em minhas páginas de notícias, todos os leitores, independente de partido ou opção política, encontrarão o que ler.
Se meu veículo respeita as fontes e o que elas dizem, será respeitado por elas. Por outro lado, quem publica tudo, terá leitores de todas as correntes políticas. É por isso que, resguardadas as ofensas pessoais e palavras de baixo calão, publico até os comentários que me atacam por defender uma ou outra posição.
O resultado deste trabalho se evidenciou nos últimos meses em que o público leitor que buscou diversidade de informações, acesso ao debate e o direito de assistir aos discursos contraditórios, encontrou no Site Roberta Tum uma opção de qualidade. Até aqui, não havíamos falado em número de acessos. Até por que mesmo reconhecendo a importância de ter uma grande audiência, optamos desde o início em ter uma audiência qualificada.
Nesta quinta-feira, no entanto, achamos por bem publicar nossos números, atestado do crescimento real deste veículo de comunicação junto ao grande público. Estamos publicando números, gráficos e explicações para que o leitor não seja levado ao erro em achar por exemplo, que por ter mais de 1, 700 mi (um milhão e setecentas mil páginas exibidas) isso signifique que mais de um milhão de pessoas nos acessem, num Estado de pouco mais de um milhão de habitantes. A matéria completa que permite visão clara do alcance do Site Roberta Tum está aqui.
Compromisso maior tem que ser com o leitor
Rompendo a prática de fazer silêncio diante dos fatos que incomodam um governo "parceiro" dos veículos de comunicação, cumprimos uma obrigação que consideramos maior com o leitor. Por outro lado mantivemos este veículo sempre aberto às explicações e declarações (mesmo as mais absurdas) de quem foi atacado. Sempre, mas sempre mesmo, ouvimos as duas, três, ou quantas partes estivessem envolvidas nos problemas.
É por isto que encerramos a cobertura das eleições 2010 no Tocantins com a certeza de que a linha adotada foi correta, foi justa e que este veículo nunca enganou ninguém. O resto é mágoa de momento que o vento leva no passar dos dias, quanto mais o tempo esfriar os ânimos de quem perdeu a eleição.
Revisitando as lições de ACM, resta lembrar: é um erro confundir quem quer apenas dinheiro, com os que querem prestígio, e menos ainda com aqueles que só podem defender aquilo em que conseguem acreditar.
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