Em Brasília esta semana, outro encontro inusitado sinalizou a quantas anda a política tocantinense em tempos de julgamento e cassação de governadores. Foi na quarta-feira, 4, dia de posse do deputado Eduardo Gomes (PSDB) na Comissão de Ciência, Tecnologia e Comunicação. Dia também de comemorar o aniversário do ex-senador, e agora empresário do ramo de comunicações Eduardo Siqueira Campos. Como diz meu amigo, prefeito Gilmar Cavalcante, irmão do saudoso Uiatan Cavalcante: em Brasília tudo acontece à noite.
E foi assim que no jantar promovido pelo cada vez mais poderoso e articulado Eduardo Gomes reuniram-se sob o mesmo teto, na comemoração do aniversário de Eduardo Siqueira, alguns nomes importantes da política tocantinense. Quero destacar três: Moisés Avelino, Leomar Quintanilha e Laurez Moreira. Estes são grandes figuras do cenário nacional.
Mas, com Siqueira e Eduardo presentes, estrelas da festa promovida por Gomes, estavam também os representantes do grupo de sustentação do prefeito Raul Filho: Wanderlei Barbosa (que deve à Eduardo Siqueira uma mãozinha na sua eleição à presidência da Casa), Milton Néris e Lúcio Campelo, vereadores da Capital.
Em semana de cassação de Jackson Lago - que assistiu na praça, cercado de populares o terceiro turno lhe tirar a eleição - os políticos tocantinenses estão alvoraçados. A expectativa gerada é de que o mandato de Marcelo Miranda caia nas próximas semanas, e que o velho Siqueira suba a rampa do Palácio Araguaia rejuvenescido, mais sábio e experiente, pronto para emendar o fim de um governo em outro.
Acionando minhas fontes aqui e em Brasília atrás de informações confiáveis sobre o andamento do Rced que ronda o mandato do governador Marcelo, descobri algumas coisas interessantes. Primeiro, que o processo foi requisitado pelo Ministério Público mês passado. Lá, o de Jackson lago ficou 45 dias. É a primeira vez que o processo do Rced de Marcelo vai ao MP. Só o processo principal tem 40 volumes. O anexo, tem milhares de páginas. Ninguém sabe quanto tempo sua análise vai levar. Até por que não existe prazo pra isso.
Do MP o Rced de Marcelo Miranda vai ao ministro Félix Fischer para ser relatado. Dois processos já estão mais adiantados e portanto aptos a entrarem em pauta para votação. São dois os governadores na berlinda antes que o tocantinense seja votado: Luiz Henrique, de Santa Catarina, e Marcelo Déda, de Sergipe.
Não se sabe quanto tempo isso vai levar. Nem se a disposição do STF para cassar tantos governadores permanecerá a mesma. O certo é que o clima de convivência e de aproximação cada dia maior entre históricos adversários no Tocantins escancara uma verdade irrefutável: muitos já estão correndo contra o tempo para amenizar a hipótese de ter que conviver com antigos inimigos no poder.
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