Me perdoem a franqueza e a ironia. Mas é que é duro manter a paciência com os “senhores do mundo” encastelados nas suas estruturas de poder achando que a eleição está decidida faltando mais de 20 dias para a hora do voto. Sejam os investidos do poder de governo, ou do poder advindo da expectativa de poder (que é pior). Por incrível que pareça tem gente nomeando secretário e dividindo cargos antes da hora. Mais absurdo do que isso: tem gente fazendo listinha de proscritos e ensaiando ameaças antes do resultado das urnas. Estou falando, é claro, dos aspones, e não dos candidatos. Estes têm mais juizo.
Posso responder os que me perguntam o que estou achando, ou como estou vendo o processo eleitoral faltando pouco mais de 20 dias para as eleições sem medo de errar: com preocupação. Não aquela preocupação pessoal de quem tem lado, por que graças ao bom Deus vamos chegar ao final sem sujar as mãos, a alma nem a consciência. Mas a preocupação com o que veremos ainda na reta final desta campanha. Fora os questionamentos jurídicos.
É uma preocupação que já existia antes do Jornal Nacional de ontem apontar o Tocantins em primeiro lugar no levantamento da Polícia Federal nos registros de ocorrências de corrupção eleitoral. Apesar de que para existir um crime de compra de votos é preciso dois fora da lei, um comprando e o outro vendendo. Mas não é disso que quero falar hoje. Vamos ao termômetro, à fotografia, ao sentimento que registrei nas ruas nos últimos oito dias.
Siqueira cresce, Gaguim estabiliza
Escrevendo um artigo encomendado por uma revista goiana há dez dias, eu dizia exatamente o contrário deste intertítulo: que Siqueira tinha estabilizado nos seus votos consolidados e que Gaguim vinha numa espiral de crescimento. Curva ascendente, como gostam de chamar os marqueteiros. Agora, andando por aí, subindo nos dois palanques e observando os bastidores por trás da cortina, tanto quanto a reação do público, notei uma mudança de clima na campanha.
Base da comparação: Siqueira no palanque de Taquaruçu e Gaguim no Santa Bárbara, Bela Vista e 305 Norte. Por mais que as recentes pesquisas de opinião tenham mostrado o governador e candidato à reeleição na frente, percebo que os eleitores de Siqueira não desistiram dele. Se por um lado houve fatos novos (as ditas adesões), o resultado prático nas ruas não é de debandada de votos populares. Verdade seja dita: nas maiores cidades do Estado o povo “tá nem aí” para lideranças. E as maiores cidades são, por conseqüência, os maiores colégios eleitorais.
Gaguim por sua vez tem a maioria dos líderes, o maior número de prefeitos e vereadores, o maior número de deputados. Fez um verdadeiro arrastão. Está bem nas cidades de médio e pequeno porte onde o voto ainda é decidido assim e hoje passa a crença de que ganhará as eleições. O fator preocupante, ou que pelo menos deveria preocupar o staff governista é que mesmo acreditando que Gaguim deve ganhar as eleições, quem vota em Siqueira não parece disposto a mudar o voto para não “perdê-lo”.
Quem gerar fato novo e positivo ganha
O quadro na minha humilde opinião é de empate técnico. Quem conseguir manter seus votos e provocar um fato novo, e positivo, passará à frente na reta final. Daí vocês podem me perguntar de onde eu tirei isso, com base em que pesquisa (como me perguntou um deputado insatisfeito com uma análise que fiz aqui). Tiro esta avaliação do sentimento que vejo nas ruas nos últimos dias. Gaguim tem de longe a maior estrutura, e o maior número de líderes no palanque. Mas não vi paixão, nem militância por onde andei. Vi muita claque paga pelos proporcionais para carregar bandeira. E o eleitor das quadras sentadinho, calado, ouvindo os discursos para tomar sua decisão.
É aí que mora o perigo. O eleitor está muito quieto. Quem está nas ruas são os militantes. E o povo de Siqueira é de longe, mais aguerrido, mais apaixonado, mais motivado. Afinal, são oito anos longe do poder.
Por isso, quando escuto alguns dizendo que a eleição está definida me vem aquela vontade de “sacudir”. De um lado os que acham que vantagem é resultado, cruzaram os braços (nem os comissionados sob ameaça de demissão estão muito envolvidos na campanha) e por agir colocam em risco a campanha do seu candidato. De outro, os que acham que Siqueira vai ganhar de qualquer jeito, mesmo que seus candidatos a deputado mal tenham gasolina para rodar.
Portanto, para gregos e troianos, o que eu estou vendo é que Siqueira cresceu nos últimos dias, e Gaguim estabilizou. Traduzindo: Acorda Alice, ninguém ganhou a eleição. Ainda.
Prezados internautas, SEJAM BEM VINDOS ao novo espaço para comentários
Nosso sistema mudou, mas algumas regras permanecem para que este espaço promova o debate com qualidade. Vejam quais são:
1 - O comentarista deve se cadastrar para comentar, validando seu email
2 - São duas as restrições que podem motivar bloqueir: uso de palavras de baixo calão e acusações ou menções a crimes pelos quais os mencionados não tenham sido condenados em última instância de recurso.
3 - Ao comentar artigos e notícias, atenha-se ao assunto. Os comentários devem ter no máximo 500 caracteres. Se for preciso, poste a continuação.
4 - É vedado o anonimato na manifestação da opinião. É permitido usar pseudônimos.
5 - Todos os comentários são moderados. Se o seu comentário atende as normas de civilidade aguarde sua liberação. Não é necessário postar mais de uma vez.
Importante: Especialmente na área criminal, comentários contendo ameaças, incitação à violência, preconceito racial e de gênero, além de homofobia, passarão a integrar lista de observação que poderá ser cedida às autoridades policiais e judiciárias quando necessário.























































































































































