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Minha Opinião

Sábado, 17 de dezembro de 2011, 09h36m

Acolha uma criança neste Natal e dê mais que um presente a quem não tem quase nada além de esperança...

Há um ano tive a oportunidade de conhecer de perto a Casa Acolhida, em Palmas. Por lá, centenas de crianças que foram retiradas da situação de risco pelo Conselho Tutelar ou pelo Juizado da Infância, vivem a melhor vida que podem enquanto esperam por um parente próximo ou distante, ou quem sabe um estranho com generosidade e compaixão suficientes para lhes proporcionar um novo começo...
Roberta Tum 
Lourenço Bonifácio Mais que um pequeno espaço para brincar, crianças precisam de novos horizontes
Mais que um pequeno espaço para brincar, crianças precisam de novos horizontes

As histórias que se cruzam na Casa Acolhida são um choque de realidade em quem conhece pouco o universo de crianças pobres, vindas de famílias desestruturadas, e que por uma série de situações problema precisaram ser retiradas dos locais e do convívio das pessoas com que estavam.

Por lá encontrei mãe adolescente com bebê de colo. Os dois precisando de uma nova família. Irmãos retirados de pais usuários de drogas, e que sofriam toda sorte de provação e necessidades. Meninas crescendo entre bonecas e meninos no limite de idade em que não poderão ficar mais ali, e temendo a cada dia a transferência para uma outra casa, em que deverão conviver com meninos mais velhos, cheios de vícios e violências que já são mais difíceis de contornar. São crianças que sofreram violência, algumas abuso, e que precisam de um novo horizonte.

E por que entro neste assunto há uma semana do Natal? Por que a maior esperança e o maior presente que estas crianças esperam ao escrever suas cartinhas para o Papai Noel é encontrar uma nova família. É “ganhar” um pai ou uma mãe neste Natal. Para quem quer tomar uma decisão assim, definitiva, recomendo procurar no Fórum de Palmas, o serviço de avaliação Psicossocial, onde pais e mães em potecial podem se inscrever. Mas não é só esta a opção que existe para quem quer dar um pouco de si, mesmo sem o comprometimento extremo da adoção.

A rotina da Casa

A rotina da Casa Acolhida devolve um pouco de equilíbrio a estas crianças. Casa, comida, uniforme, material escolar, pessoal especializado para lidar com suas necessidades de atenção, assistentes sociais, psicóloga. Tudo que o poder público pode oferecer. Mas elas precisam de mais.

Há cerca de uma semana, uma audiência conjunta definiu a situação de boa parte delas, com a concessão da guarda pelo juizado, à pessoas e famílias que já estavam em estágio de convivência com algumas crianças.

Mas com certeza ainda “sobraram” por lá muitas crianças. Não é preciso tomar a decisão extrema de adotar para fazê-las um pouco mais felizes. Basta se dispor a ir até lá, conhecê-las, levar um presente quem sabe, ou retirá-las numa tarde para passear pela cidade, tomar um sorvete, ter um dia diferente.

Neste período de férias, em que não há a escola para ir todos os dias, a rotina de meninos e meninas que só têm uns aos outros dentro de uma casa para passar o tempo, acaba ficando triste demais.

Fica a sugestão para quem pode dar mais que um brinquedo neste Natal: doe um pouco de si mesmo, do seu tempo e do seu coração para fazer feliz uma criança que precisa mais do que tudo, de carinho.

Vale a pena! Para os dois lados.

 

P.S: A Casa Acolhida não pode ter seu endereço divulgado, por questão de segurança das crianças. Os interessados devem entrar em contato com a Prefeitura de Palmas, que coordena o projeto, para agendar uma visita.

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5 Comentário(s)

  • MARCIO GREICK | 19/12/2011 | 10:22
    Cara Roberta a sua matéria é comovente e nos toca profundamente. Já tive a oportunidade de conhecer essa realidade pois elas precisam muito de amor, carinho e principalmente de uma familia. Estive neste final de semana em Porto Nacional, numa açao beneficente, distribuindo presentes a centenas de crianças carentes de um bairro pobre da cidade,era visivel em cada olhar,a felicidade em ganhar um presente de natal. Voltei de alma renovada em tirar um tempinho para doar-me nesse projeto.
  • Gilvan Nolêto | 19/12/2011 | 00:01
    É impressionante o quanto aquele que tem pouco, consegue dividir com quem nada tem e o quanto é difiícil para quem tem muito, desfazer-se de um punhado para dividir com alguém. Se houver uma campanha para desabrigados no outro lado do mundo, "minha" empresa doa, porque há possibilidade de mídia espontânea. Não seria mais simples se o espírito de "solidariedade" olhasse aqui mesmo, ao redor? Solidariedade não tem sazonalidade. Façamos, pois, cada um a nossa parte. Porque esperar o Natal?
  • Maria do Socorro | 18/12/2011 | 15:47
    Roberta Tum! Te parabenizo pela sua sensibilidade,realmente é vergonhoso para o nosso país a quantidade de crianças sempespectiva de vida.Só Deus mesmo para colocar pessoas boas ede coração bom na vida dessas crianças. Eu tenho feito a minha parte,pois tenho dois filhos adotivos um menino e uma menina ambos abandonados pelas mães.
  • TOMAZ DE AQUINO | 18/12/2011 | 11:32
    Roberta, esse gesto de gratidão opinado por você é o espelho que precisa ser olhado pela nossa sociedade, principalmente por aqueles que detém uma melhor situação econômica, o espirito de caridade é muito gratificante e faz muito bem a alma.
  • Mayza Aiala | 17/12/2011 | 10:33
    Cara Roberta, sua sensibilidade e generosidade sao comoventes! Se todos que fazem parte da imprensa se propusesem a divulgar fatos como esses, certamente o indice de criancas carentes de familia seria menor! Que DEUS a proteja e redobre suas energias p/ continuar desenvolvendo esse papel de suma importancia a comunidade tocantinense! Parabens pelo texto.

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