As histórias que se cruzam na Casa Acolhida são um choque de realidade em quem conhece pouco o universo de crianças pobres, vindas de famílias desestruturadas, e que por uma série de situações problema precisaram ser retiradas dos locais e do convívio das pessoas com que estavam.
Por lá encontrei mãe adolescente com bebê de colo. Os dois precisando de uma nova família. Irmãos retirados de pais usuários de drogas, e que sofriam toda sorte de provação e necessidades. Meninas crescendo entre bonecas e meninos no limite de idade em que não poderão ficar mais ali, e temendo a cada dia a transferência para uma outra casa, em que deverão conviver com meninos mais velhos, cheios de vícios e violências que já são mais difíceis de contornar. São crianças que sofreram violência, algumas abuso, e que precisam de um novo horizonte.
E por que entro neste assunto há uma semana do Natal? Por que a maior esperança e o maior presente que estas crianças esperam ao escrever suas cartinhas para o Papai Noel é encontrar uma nova família. É “ganhar” um pai ou uma mãe neste Natal. Para quem quer tomar uma decisão assim, definitiva, recomendo procurar no Fórum de Palmas, o serviço de avaliação Psicossocial, onde pais e mães em potecial podem se inscrever. Mas não é só esta a opção que existe para quem quer dar um pouco de si, mesmo sem o comprometimento extremo da adoção.
A rotina da Casa
A rotina da Casa Acolhida devolve um pouco de equilíbrio a estas crianças. Casa, comida, uniforme, material escolar, pessoal especializado para lidar com suas necessidades de atenção, assistentes sociais, psicóloga. Tudo que o poder público pode oferecer. Mas elas precisam de mais.
Há cerca de uma semana, uma audiência conjunta definiu a situação de boa parte delas, com a concessão da guarda pelo juizado, à pessoas e famílias que já estavam em estágio de convivência com algumas crianças.
Mas com certeza ainda “sobraram” por lá muitas crianças. Não é preciso tomar a decisão extrema de adotar para fazê-las um pouco mais felizes. Basta se dispor a ir até lá, conhecê-las, levar um presente quem sabe, ou retirá-las numa tarde para passear pela cidade, tomar um sorvete, ter um dia diferente.
Neste período de férias, em que não há a escola para ir todos os dias, a rotina de meninos e meninas que só têm uns aos outros dentro de uma casa para passar o tempo, acaba ficando triste demais.
Fica a sugestão para quem pode dar mais que um brinquedo neste Natal: doe um pouco de si mesmo, do seu tempo e do seu coração para fazer feliz uma criança que precisa mais do que tudo, de carinho.
Vale a pena! Para os dois lados.
P.S: A Casa Acolhida não pode ter seu endereço divulgado, por questão de segurança das crianças. Os interessados devem entrar em contato com a Prefeitura de Palmas, que coordena o projeto, para agendar uma visita.
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