Página Inicial

Em Debate

Quinta-feira, 26 de janeiro de 2012, 08h46m
Estado

A terra nossa de cada dia

Redação 

Hoje passei boa parte da tarde de prosa com um antigo conhecido que optou pela vida de sem terra. Ele é um dos 800 integrantes do assentamento Sebastião Bezerra, uma invasão de terras entre Palmas e Porto Nacional.

Fiquei interessadíssima e tentei tirar todas as minhas dúvidas sobre o tal “ projeto”, como ele intitula a invasão.

Sebastião Bezerra foi um líder sem terra. È importantíssimo manter viva a lembrança de grandes “guerreiros”, forma de tratamento dada ao homenageado.

Os líderes dessa invasão são “Hélio Maluco” e “Zefa doida”. Segundo minha fonte, são casados a poucos anos e há mais de 20 anos atuam como líderes desse tipo de movimento. O primeiro fazia parte do MST e ela do MBA. Quando os movimentos se uniram o casal se uniu também. Foram retratados como pessoas educadíssimas, mas fortes na hora de tomar decisões...” Já vi o Hélio Maluco chamar três integrantes para derrubar um barraco...ele chamou o cabra, explicou os motivos pelos quais ele estava saindo do projeto, e em menos de 5 minutos o barraco tava derrubado e a madeira dividida entre aqueles que precisavam dela...”

As regras ali são bem definidas. “Cachaça” não entra, cada um tem seu dia de “guarda” e pelo menos um período do dia a presença no assentamento é indispensável. È obrigatória a presença nas chamadas geral. Três faltas e o integrante “tá fora”.

Contou como foi o procedimento para chamar a atenção das autoridades para a regularização do assentamento.

“Quando invadimos a terra onde hoje estamos, ninguém tomou conhecimento. Nem o INCRA, nem ninguém. Foi feita uma assembléia geral onde foi definido que invadiríamos a fazenda Santa Rita. A intenção era só chamar a atenção. E assim foi feito. A polícia chegou e o mandado de reintegração foi expedido. Aceitamos o acordo para a retirada. Nossa proposta foi a regularização do assentamento Sebastião Bezerra com a presença do INCRA. Tudo certo. Mas foram dias e noites de pavor. Era como se estivéssemos em guerra. Aliás, todas as táticas ali eram táticas de guerrilha...”

Um detalhe me chamou a atenção. Foi quando meu conhecido falou dos “cursos”. De tempo em tempo integrantes que se oferecem, são enviados para participarem de cursos de lideranças em outros estados. A intenção é a formação de mais líderes desses movimentos populares. O custeio da viagem é feito pelos próprios integrantes da invasão. Cada um contribui com o que pode para o fortalecimento dos movimentos.

A alimentação no assentamento é por conta de cada família, mas existe um a corrente solidária entre as centenas de famílias.

É...enquanto movimentos desse tipo se organizam o poder público é deixado de lado. Novos líderes vão surgindo e o que deveria ser “oficial” passa a ser “paralelo”. Enfim, quando as regras são ditadas de forma bem pouco democrática, parece que a coisa flui melhor...ou estou enganada...vamos refletir...

Yanna Barbosa

Prezados internautas, SEJAM BEM VINDOS ao novo espaço para comentários

Nosso sistema mudou, mas algumas regras permanecem para que este espaço promova o debate com qualidade. Vejam quais são:

1 - O comentarista deve se cadastrar para comentar, validando seu email

2 - São duas as restrições que podem motivar bloqueir: uso de palavras de baixo calão e acusações ou menções a crimes pelos quais os mencionados não tenham sido condenados em última instância de recurso.

3 - Ao comentar artigos e notícias, atenha-se ao assunto. Os comentários devem ter no máximo 500 caracteres. Se for preciso, poste a continuação.

4 -  É vedado o anonimato na manifestação da opinião. É permitido usar pseudônimos.

5 - Todos os comentários são moderados. Se o seu comentário atende as normas de civilidade aguarde sua liberação. Não é necessário postar mais de uma vez.

Importante: Especialmente na área criminal, comentários contendo ameaças, incitação à violência, preconceito racial e de gênero, além de homofobia, passarão a integrar lista de observação que poderá ser cedida às autoridades policiais e judiciárias quando necessário.

2 Comentário(s)

  • beline | 15/02/2012 | 13:44
    trabalhando nao viu a vida passar, enxada na terra alheia nunca traz dias melhores. trabalhando enfrentando chuva e sol , o suor que molhou a terra nem sementes viu brotar. e assim a geada dos anos foi lhe branqueando as melenas. esse homem rural hoje é peão de suas penas. de que vale tanta ciençia para um pobre agricultor quando á própria prevídencia o esqueceu num corredor
  • Antonio Milhomem Lacerda | 27/01/2012 | 22:28
    Há de se considerar que, esses movimentos dos "sem terra", já estão se fragilizando. Pelo radicalismo que as vezes empregam. Tendo orientação seletiva em que os membros (familias) sejam vocacionadas. Nada mais justo dar terra a quem merece... O que se vê, porém, é diferente. O que conquistam - suas futuras glebas, serem comercializadas. Dá-se o retorno às cidades. Há de se fazer bem feito a Reforma Agrária. É um direito... Não há necessidade de treinamento à guerrilha ou coisa semelhante.

Últimas notícias

  • Coperfrigu
  • Nacim
  • Band
  • Twitter
  • sudeste hoje
© Copyright 2012 - ROBERTATUM.COM.BR. (63) 3224-8117 - contato@robertatum.com.br
Desenvolvido por ConsulteWare e Rogério Carneiro