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Minha Opinião

Terça-feira, 09 de março de 2010, 11h25m

A cara feia do preconceito vai às ruas em nome da mulher

Haja paciência para encarar com boa vontade o movimento que foi às ruas de Palmas ontem, segunda-feira, 8 de março, em nome "da mulher". Preconceituoso e ultrapassado, o discurso que os trabalhadores de verdade ouviram na passagem do trio elétrico mostra a face do rancor, da incapacidade de diálogo e uma evidente manipulação política das massas para fins políticos e eleitorais. No fim, tudo se resumiu a ferir a imagem da senadora Kátia Abreu (DEM), que promove evento amanhã em Palmas pela CNA, para discutir que presidente nós queremos.
Roberta Tum
Helton Gonzaga Apedrejamento da sede da Faet: ponto alto da manifestação
Apedrejamento da sede da Faet: ponto alto da manifestação

Ouvi perplexa ontem, de frente a agência dos Correios em Palmas, trechos de um discurso xulo e de baixo nível, entremeado com gritos de guerra. Depois, uma participante identificou a oradora como a ex-presidente (ou será que já é presidente de novo?) da Casa 8 de Março, “companheira” Bernadete. Na parte que ouvi ela literalmente mandava a senadora Kátia Abreu (DEM), para “os quintos dos infernos”, e emendava: “ela não é bem vinda aqui”.

 

Opa! Devagar com o andor, que o santo é de barro. Tenho certeza que a Casa 8 de Março cumpre seu papel na região das Arnos, embora nos últimos anos tenha mais promovido cursos de cabeleireiro do que qualquer outra ação para resgatar mulheres vítimas da violência.

 

Se alguém não quer a senadora aqui com certeza não são as mais de 11 mil mulheres trabalhadoras rurais atendidas pelo programa “Útero é Vida”, da CNA. Também não são as mulheres da cidade, atendidas pelos mamógrafos e agora tomógrafo que a senadora garantiu através de emendas parlamentares.

 

Kátia Abreu pode ser chamada de defensora dos grandes produtores rurais, mas jamais dos “latifúndios improdutivos”. É uma das executivas mais realizadoras na cena nacional falando de produção de alimentos. Diferente de muita gente que – para usar a linguagem popular – “nunca deu um prego numa barra de sabão”.

 

A importância de cada um

 

Tenho pela CPT – Comissão Pastoral da Terra, uma das organizadoras do evento, o respeito que ela merece pelas ações que realiza. Mas toda vez que um movimento social, ou uma organização não governamental é “infestada” pelo discurso míope e radical deste ou daquele partido, as coisas se complicam. Os movimentos deixam de servir às pessoas que deveriam representar e passam a ser ferramentas utilizadas por partidos. E com fins claramente eleitorais.

 

No campo ou na cidade, somos todos trabalhadores. E para chegar a um entendimento, vale mais o diálogo e a força do trabalhador organizado, do que pedras e bolas de tinta lançadas contra fachadas de prédios.

 

De ônibus, motos ou carros novos

 

Vi gente com a pele queimada e que provavelmente tem calos nas mãos na passeata de ontem. Mas vi muito cabelo chapado e salto alto. Assim como se podia ver um ônibus preto e amarelo despejando manifestantes no começo da passeata, era possível encontrar muita turbinada chegando de moto nova e carro zero de frente da FAET para então colocar uma camiseta e uma bandana no rosto e se integrar às representantes dos movimentos sociais. Ah, essas não são as trabalhadoras rurais.

 

No delírio que se viu e ouviu, vieram também agressões à imprensa. “Não queremos vocês aqui. Fora imprensa corrupta. Aqui não tem ninguém para vocês promoverem”, bradava de microfone na mão, a “companheira”, liderança de movimento provando seu despreparo e pouca inteligência.

 

Aprendendo a conversar

 

A imprensa tem sido historicamente aliada dos movimentos sociais. Quando se abre páginas de jornais, na internet, ou espaço no rádio e na TV, movimentos - justos ou equivocados - ganham projeção e força. Mas o discurso proferido nas avenidas de Palmas e na frente da FAET ontem foi retirado de velhos livros, que serviam bem para entender o velho mundo de classes sociais divididas que a sociedade mundial viveu antes da queda do muro de Berlim.

 

O mundo mudou, mas boa parte dos líderes de movimento continua lendo na velha cartilha do confronto que utilizam para guiar suas ações. É uma grande bobagem achar que o planeta vai ser abastecido pela agricultura de fundo de quintal. Não vai.

 

Assim como é absurdo imaginar um futuro onde só exista espaço para os grandes produtores de soja, arroz e café. O Brasil alimenta o mundo, mas com certeza não é graças à gente que sai do ar condicionado dos gabinetes para engrossar passeatas sem saber se alface se planta com semente ou mudinha.

 

Se quiser ser respeitado por gente que trabalha duro no campo e na cidade, o Movimento dos Sem Terra tem que aprender a conversar. Jogar pedra é muito fácil. Xingar é coisa de gente pouco inteligente. Para viver num mundo de diferentes é preciso respeitar a diferença. É só através do diálogo que o mundo tem evoluido.

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Comentários

  • simone sandri | 11/03/2010 | 08:29 O MST poderia ser um movimento de respaudo e até mesmo um colaborador nas políticas agrárias porém é uma laranja podre no meio da sociedade que pregam revolta manifestam desaforos e cobram ajuda não oportunidade de trabalho e sustento para suas famílias,é importante o crescimento é impotante plantar,colher,porém quem plantar rancor colhe rancor quem planta ofensa colhe ofensa MST é tempo de rever seus preceitos e reformilar suas ações para crescer e fazer com que a sociedade os veijam com outros olhos
  • SIMONE SANDRI | 11/03/2010 | 08:21 simone 11/03/2010 É VERGONHOSO NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER,VER CENAS DE DESRESPEITO E VULGARIDADE ESTE ATO ME ENVERGONHOU COMO MULHER.
  • WARNER PIRES | 10/03/2010 | 20:31 parabéns a jornalista Roberta Tum, pela excelente reportagem na sua supra sumo realidade . O que se viu ali naquele movimentos foi apenas uma grupo de mulheres sofredores que ainda se vão por pura opressão com medo de perder as suas vantagens junto aos lideres Bismaque do Movimento e Donizete do PT. Que infelizmente ainda dominam as construções de casas populares em nossa caital.
  • Wagner Gentil | 10/03/2010 | 12:35 Quando a Senadora encapou a luta contra os desmandos dos "SEM TERRA", é natural q aconteça esse tipo de coisa, que só denigre a nossa imagem. Esses manifestantes, poderiam ter o respeito pelo estado e de maneira civilizada e coerente fazer as suas manifestações,afinal vivemos em um país livre e democrático.
  • vitor | 10/03/2010 | 09:32 TEnho certeza de que, tal manifestação tem fins eleitoreiros e objetiva enfraquecer a pessoa da senadora Kátia Abreu (DEM) e, consequentemente, do ex-governador Siqueira Campos (PSDB). Eles (ou elas) podem até ser SEM TERRAS, porém nunca SEM DINHEIRO, pois trata-se de um grupo de pessoas respaldadas por políticos que disponibilizam toda estrutura necessária para seus atos de vandalismo, com caravanas de ônibus de luxo, acompanhadas de um comboio de camionetes de ultima geração, com suas carrocerias abarrotadas de mantimentos. Alguém tem financiado isso e, tais pessoas deveriam mostrar a cara e, contarem o porquê desse apoio à vandalos desocupados.
  • Roberta Tum | 10/03/2010 | 00:03 Ô Maria Justina,´procure ser mais justa, mulher. Dá uma olhada no site e conta quantos banners tem da Kátia Abreu e da Faet nele... Algumas pessoas julgam os outros por si próprias. Você precisa entender que nem tudo no mundo é dinheiro. Tem gente que ainda defende o que acredita.
  • Maria Justina | 09/03/2010 | 19:53 Ao se ler está matéria percebe-se que há uma ação política do próprio site em favor da Katia Abreu, deve ser porque ela é uma das grandes patricinadoras, não é verdade Tum?
  • Marco Tullio Tavares | 09/03/2010 | 15:34 Muito sensanto seu editorial... parabéns!!!
  • barbosa | 09/03/2010 | 13:52 Parabéns R T, você expressou o penssamento de muita gente de bem,a verdade é que essas pseudas trabalhadoras são apenas marionetes nas sujas mãos de interesseiros VÂO TRABALHAR!!!!!!
  • Ademar Borges | 09/03/2010 | 13:40 Parabéns, jornalista Roberta Tum pela clarividencia e pela lisura na informação. Quando voce esta defendendo uma coisa que acredita, voce se disfarça e cobre o Rosto??? abraços Ademar. Ademar
  • mary pacheco | 09/03/2010 | 13:09 O inaceitável é querer estas deliquentes preconceituosas tentar prejudicar a imagem de uma dos melhores quadros do Senado,usando êste "SETOR"intitulado MST,que já cansou,já enjoou.Criticam permanentemente,utilizando as mesmas babaquices vazias,inconsequentes e absurdas.Casualmente vi nesta passeata ESPOSA DE SECRETÁRIO DE ESTADO prova inequívoca que tal passeata foi de cunho político que de tão vulgar foi patética.VOCÊ NOS ORGULHA SENADORA KÁTIA ABREU.

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