Ontem, quarta-feira, 4, dia de sessão da tarde na Assembléia Legislativa, aconteceu uma votação importante. Uma resolução que ninguém sabe dizer o teor, e cuja cópia ninguém viu, foi aprovada pelos deputados. Só se sabe que ela trata da verba indenizatória de gabinetes. A cópia não chegou na bancada de imprensa sob o argumento de que a copiadora da Casa estava com problemas. A Diretoria de Comunicação não recebeu, nem arquivou a resolução. O diretor, Erasmo Damasceno disse agora a tarde para o Blog da Tum, que nem ele teve acesso ao documento e portanto não sabe dizer do que se trata, nem qual o teor.
De manhã, já informada da resolução, procurei ouvir a deputada Josi Nunes, que antes do carnaval concedeu entrevista a este Blog dizendo que o assunto seria tratado com transparência pela presidência, e que logo após os feriados, os deputados se reuniriam - com a colaboração do deputado César Hallum - para encontrar a melhor maneira de dar publicidade a estes gastos.Hoje de manhã Josi titubeou e se esquivou de falar do assunto: "Ouça o presidente da Casa, ficou decidido que só o deputado Gaguim vai falar sobre este assunto".
Ouvir Gaguim parece "Missão Impossível", título de filme. O deputado tem adotado o hábito de abrir a sessão, e se ausentar dela. Quando não está atendendo prefeitos, são empresários, ou audiências na sala vip, e fora da Casa. Hoje foi um desses dias, em que Júnior Coimbra assumiu a presidência. Marcelo Lélis, habitualmente aberto a repassar informações polêmicas à imprensa não participou da sessão desta quinta-feira.
Restava Solange Duailibe, primeira-dama e deputada petista que também - espera-se - não tem motivos para esconder nada da imprensa. Pois pasmem: ela também não recebeu cópia da resolução, que foi (segundo informações dentro da própria Casa) votada e aprovada ontem. "Parece que houve um problema e eu também não recebi cópia, mas vou verificar e retorno pra vocês", disse ela esta manhã.
A questão é simples, para que a curiosidade da imprensa se concentre neste assunto. Vou listar os motivos: primeiro, o dinheiro é público, e não se destina a gastos pessoais dos deputados, mas a gastos no serviço público; segundo: os valores não batem. A Assembléia fixa suas verbas e salários em 75% dos valores pagos pela Câmara Federal. Pois lá, dito e publicado na imprensa,são R$ 15 mil reais por gabinete.
Aqui, uns dizem que é R$ 13 mil, outros que é R$ 18 mil. Nenhum destes valores corresponde a 75% de R$ 15 mil. Pior: a Câmara Municipal fixa a verba dos vereadores em 50% do que a Assembléia paga aos deputados. Lá, cada gabinete recebe R$ 9 mil reais. Até onde ensina a matemática simples, o dobro de nove é 18.
Tanto mistério em torno do assunto verba indenizatória é péssimo para a imagem dos deputados. Tudo o que se tenta esconder, cheira à coisa errada. É importante e necessário que o presidente Gaguim ponha fim ao mistério da verba indenizatória e faça como Michel Temer em Brasília, dê transparência aos fatos. É dever da imprensa cobrar as respostas. E dever do legislativo responder.
Roberta Tum
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